Em 71 anos de história de Londrina, nenhum período ficou tão famoso como o ciclo do café. A época do 'ouro verde' é relembrada até hoje com orgulho e, principalmente, saudades, como o tempo em que a cidade prosperou, enriqueceu e se tornou conhecida em todo o País. Um tempo de glória, de grandes fortunas, de promessas. Como acontece quase sempre, o sucesso é efêmero e as geadas destruíram não só os cafezais mas os sonhos de grandeza.
Nos últimos 30 anos, o londrinense tenta aprender com as lições do passado e ao mesmo tempo, descobrir novas fórmulas de sucesso. Qual seria o caminho para recuperar a fama e a fortuna? A Folha ouviu empresários, profissionais e autoridades que não só participaram da história da cidade mas ainda estão aqui, construindo suas vidas junto com a dela. Todos concordam com uma coisa: é tempo de ousar, de correr riscos, de idealizar e viabilizar grandes projetos.
Tudo que é vivo se desenvolve em ciclos; com as cidades não é diferente. Mesmo municípios novos, como Londrina, podem ser analisados do ponto de vista econômico através das diferentes fases de riqueza ou pobreza que enfrentam ao longo da história. O contador José Ribeiro, presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), têm esses ciclos na ponta da língua. Morador da cidade há 55 anos, Ribeiro residiu muito tempo perto da antiga linha férrea: ''Os trens carregando as riquezas da cidade passavam diante da porta da minha casa'', conta.
Ele lembra do ciclo da madeira, seguido pelo da lavoura branca (milho, feijão, algodão). ''Tudo isso era industrializado em São Paulo. Nós vendíamos a matéria prima a preço de banana e os paulistas enriqueciam beneficiando o nosso produto. Além do mais, quando a safra acabava, o dinheiro ficava nas mãos de meia dúzia de agricultores''.
A cafeicultura começou a mudar esse cenário. ''O fato de parte do café ser beneficiado na cidade trouxe novos empregos, com maior nível de exigência. Indústrias como a Cacique atraíram uma rede de outras pequenas empresas'', aponta Ribeiro.
As geadas da década de 70 'esfriaram' o entusiasmo pelo café mas apontaram para duas novas alternativas: a pecuária e a soja. ''Apesar de tudo, permaneceu a mentalidade extrativista. Só 20% da nossa soja é industrializada aqui e os grandes frigoríficos estão em São Paulo'', diz Ribeiro.
Para o presidente do Sescap, se a cidade quiser retomar o ritmo de crescimento dos anos 60, vai ter que aprender a ver na indústria a possibilidade de geração de riquezas e desenvolvimento. ''Londrina hoje tem projetos tímidos e não oferece condições para que novas indústrias se estabeleçam na cidade. Conheço industriais daqui que estão indo embora para Cambé'', informa.
À frente de um escritório de contabilidade que atende muitas empresas, Ribeiro sonha com um futuro diferente: ''Londrina tem recursos naturais, tem outros ciclos vindo aí, tem soja, tem qualidade na prestação de serviços. Temos que buscar grandes empreendimentos, ser mais ousados, explorar melhor o que a gente produz''.

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