O governo britânico continua se opondo a qualquer moratória sobre os alimentos geneticamente modificados, apesar das advertências da comunidade científica.
O Ministério britânico da Agricultura lembrou ontem que ‘‘não considera necessário’’ impor uma moratória, estimando que as medidas existentes são ‘‘suficientes para garantir a ausência de danos para a saúde e para o meio ambiente’’.
Esta opinião não é compartilhada pelos vinte cientistas internacionais que ontem publicaram um apelo no qual pedem a reabilitação de um de seus colegas, que foi obrigado a se aposentar após ter revelado os resultados impressionantes de estudos realizados com ratos.
Os animais alimentados com batatas geneticamente modificadas tiveram alterações em seus órgãos, incluindo o cérebro, e seu sistema imunológico se fragilizou.
As pesquisas do professor Arpad Pusztai, do instituto Rowett de Aberdeen, foram reexaminadas e aprovadas por seus 20 colegas, alguns dos quais pedem agora que seja interrompida a utilização de produtos modificados geneticamente.
Estes produtos já são empregados, particularmente para alimentar animais e os cientistas vêm advertindo há tempos sobre o possível desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos que poderiam ser transmitidas aos humanos.
O deputado trabalhista Alan Simpson advertiu hoje sobre o risco de aparecer uma ‘‘doença da vaca louca dois’’ e estimou que é preciso ‘‘parar tudo e estabelecer novos parâmetros’’ em relação aos alimentos geneticamente modificados.
Esta também é a opinião de um dos organismos governamentais encarregados do meio ambiente, English Nature, que pediu ao primeiro-ministro, Tony Blair, três anos de moratória sobre certas plantas geneticamente modificadas, em particular as que resistem aos herbicidas.
A organização ecológica Friends of the Earth e as associações de consumidores pediram que não sejam concedidas mais autorizações de cultivo destes produtos.
As grandes marcas do comércio britânico se comportam de formas diferentes com os alimentos modificados geneticamente. Tesco vende 150 produtos que contêm ingredientes deste tipo, com uma etiqueta que os identifica, enquanto outros grupos, como Marks and Spencer, os excluíram de suas lojas.

mockup