Lojistas vão brigar por horário livre no comércio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de julho de 1997
Carina Paccola Londrina 
Arquivo FolhaA favorAbílio Medeiros, presidente da Acil: Tanto os comerciantes como os comerciários e consumidores vão perceber os benefícios da mudança com o primeiro sábado. Vamos colaborar na divulgação para que o consumidor se acostume com isso. Será um novo hábitoA ampliação do horário do comércio pelo menos uma vez por mês - sempre no primeiro sábado após o quarto dia útil a abertura será das 9h às 18h - é comemorada como um avanço pelo Sindicato do Comércio Varejista e pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Os representantes dos empresários querem mais. Nossa posição é lutar para que haja liberdade total no funcionamento do comércio, diz o presidente da Acil, Abílio Medeiros.
Por outro lado, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina avisa que vai estar atento para que a mudança pare por aí. Dos males, o menor, afirma o diretor do Sindicato, Manoel Teodoro da Silva. Segundo ele, assim que for sancionado pelo prefeito Antonio Belinati o projeto de lei que institui a mudança do horário, os representantes dos trabalhadores vão negociar com o Sindicato do Comércio Varejista como vai ficar a jornada dos comerciários. Os trabalhadores vão receber hora-extra pelo aumento da jornada.
Como em agosto há a comemoração do Dia dos Pais e o comércio já trabalha das 9h às 18h no sábado que antecede datas festivas, o primeiro sábado dentro da nova lei deve ser o dia seis de setembro. Teodoro aproveita para criticar a atuação dos comerciantes. Vamos ver se eles vão fazer campanha e divulgar para os clientes. Não adianta mudar e não avisar. É o que acontece sempre nas datas comemorativas. Ninguém sabe que o comércio está aberto, diz.
O vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Sinézio Scudeler, também defende a abertura das 9h às 19h diariamente no comércio. Aí haveria fiscalização para saber se os comerciantes estão pagando os direitos dos trabalhadores. Enquanto isso não ocorre, já é um avanço a mudança aos sábados, diz. Segundo ele, será uma oportunidade para aumentar as vendas. Se o empregador ganha, o empregado também.
O gerente de uma loja de confecção, Paulo de Oliveira, afima que o comércio não tem condições de ficar aberto. Depois das 13h no sábado, ninguém aparece, enfatiza. O proprietário de uma loja de tecidos, José Sato, já pensa que a ampliação do horário no primeiro sábado é uma medida muito boa. No começo do mês, é maior o fluxo de gente no comércio. Corre mais dinheiro. Poderemos vender um pouco mais.
O presidente da Acil, Abílio Medeiros, lembra uma pesquisa divulgada no mês passado em que aponta que a maioria dos consumidores defende a ampliação do horário. Os grandes shoppings têm conseguido benefícios por abrir em horário alternativo. Quando o centro abre no fim-de-semana há equilíbrio no movimento com os shoppings, diz. Medeiros afirma ainda que comerciantes, comerciários e consumidores vão perceber os benefícios da mudança com o primeiro sábado. A Acil vai ajudar na divulgação para que o consumidor se acostume com isso. Será um novo hábito.


