A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) enviou ontem um ofício à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para pedir pressa na negociação com os bancários. Dirigentes da entidade acreditam que a paralisação deve resultar em perdas de até 30% nas vendas no comércio, caso a categoria continue de braços cruzados até o quinto dia útil do mês, data em que a maioria das empresas faz o pagamento salarial aos empregados. Ainda, o início de outubro marca o período de compras para o Dia das Crianças, no dia 12.
Em nota, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), braço sindical da Febraban, informa que lamenta os incômodos causados pela paralisação dos bancários e ressalta que empenha todos os esforços para chegar a um acordo com as lideranças dos bancários. Porém, a entidade declara que ainda não recebeu o ofício da CNDL.
Normalmente, as datas seguintes ao quinto dia útil de cada mês são as mais lucrativas para o comércio. Tanto que, em Londrina, há um acordo antigo entre sindicatos patronal e de trabalhadores para que as lojas de rua abram nas primeiras duas tardes de sábado de cada mês. O presidente da CNDL, Roque Pelizzaro Junior, diz que o período é quando consumidores recorrem aos bancos para sacar dinheiro, pagar boletos e compensar cheques. "É um dos maiores momentos para o consumo interno. Se a greve se prolongar e alcançar o quinto dia útil do mês, o comércio pode sofrer perdas na ordem de 30% no período", afirma.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, confirma que existem prejuízos, porque diminui a circulação de dinheiro no comércio. "Não somos contra a greve, que é um direito, mas a Febraban precisa ter celeridade nas negociações para evitar perdas para lojistas e consumidores."
Segundo o secretário de imprensa do Sindicato dos Bancários de Londrina, Joseph Sônego, não houve qualquer movimentação da Febraban para negociar o reajuste salarial. A categoria pede reajuste de 11,93% e os bancos oferecem 6,1%. Para tentar resolver a situação, a Câmara Federal aprovou ontem um requerimento do deputado Chico Lopes (PcdoB-CE), que solicita uma audiência pública para intermediar o diálogo entre ambos. A data ainda não foi definida.

Sem cliente nem troco
Nas ruas, os comerciantes reclamam. Além do desaquecimento econômico do País, a gerente substituta da loja Giga, Andréia dos Anjos da Luz, afirma que a greve prejudicou o movimento na loja para o Dia das Crianças. "Nos outros anos as vendas começavam desde 20 de setembro, mas desta vez está bem diferente", conta. Ela acredita que o número de clientes em busca de brinquedos caiu 50% em relação ao mesmo período de 2012.
Vendedora da loja de confecções Lua Nova, Silvana Teodoro diz que viu aumentar a quantidade de pessoas que pagam com cartão. "Está mais complicado, porque quase não tivemos clientes que pagaram com dinheiro nos últimos dias."
Para a responsável pela Dinamus Papelaria da Rua Sergipe, Deise Cristiane Rodrigues, a falta de troco é o principal problema. "Saímos tentando trocar dinheiro nas ruas e, como não conseguimos, as pessoas pedem desconto sobre as moedas. Acabamos dando para não perder a venda", diz.
O proprietário do Café e Restaurante Lafayette, Luis Meneguetti, colocou dois cartazes com apelos aos clientes. Em um deles, pede pagamentos com notas de valores menores porque a greve dificulta a obtenção de troco. "Cigarro somente com dinheiro trocado", escreveu no outro recado. "Todo dinheiro que entra uso para pagar fornecedores, porque estou sem talão de cheques", afirma Meneguetti.

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