Lojistas se esforçam para espantar crise
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segunda-feira, 09 de junho de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
O ano de 2003 está exigindo muito mais empenho do comerciante em relação aos anteriores. Para fugir do prejuízo, ele está sendo obrigado a melhorar a qualidade dos seus produtos, do atendimento e facilitar as formas de pagamento. Segundo David Dequêch Neto, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), ainda não houve crescimento do setor este ano e alguns lojistas já amargam um decréscimo nas vendas. ''Tudo subiu (tarifas públicas, juros e, inclusive, o desemprego) e o salário continua defasado'', explicou Neto.
Para superar a crise, os comerciantes têm apostado em datas especiais. No centro e nos shoppings, a expectativa para esta semana é de um crescimento médio de 10% nas vendas impulsionado pelo Dia dos Namorados, comemorado na próxima quinta-feira. O pagamento de salário, dissídio de algumas categorias e a devolução do Imposto de Renda devem ajudar nesta previsão. ''Para alguns segmentos esta é a segunda época mais importante do ano'', frisou Neto.
Cesar Hélio, gerente de uma loja de discos, espera aumento de 50% nas vendas nos próximos dias. Mesmo satisfeito com o movimento do último final de semana, ele acredita que o crescimento será pequeno em comparação ao ano passado. Para Cláudia Aparecida Vanzo de Oliveira, gerente de uma loja de perfumes e cosméticos, o fato do dia 12 cair numa quinta-feira deve estimular as vendas até sábado: ''Muita gente terá que viajar para ver o namorado ou namorada e, provavelmente, deixará a compra para mais tarde''.
Thiago Ghiraldi de Lima, gerente de uma loja de roupas, está satisfeito com o movimento e credita o resultado à flexibilidade nas formas de pagamento. ''Acima de R$ 100,00 em compras estamos parcelando em três vezes e acima de R$ 200,00, em cinco''. De acordo com Neto, essa estratégia tem sido muito usada para atrair clientes que estão optando por produtos mais baratos no pagamento à vista.
Na opinião da gerente de marketing do Shopping Catuaí, Maria Aparecida de Oliveira, o consumidor está mais cauteloso e, antes de comprar, avalia bem a relação custo-benefício. ''O resultado desse Dia dos Namorados vai depender 100% da competência do lojista em satisfazer as necessidades do cliente. Isso envolve qualidade de produto, atendimento e preço. Nenhum prêmio vai cativar o cliente se essas três exigências não forem preenchidas'', disse. Para Luiz Roberto Parizotto, superintendente do Shopping Royal Plaza, este ano os namorados devem gastar, em média, entre R$ 30,00 e R$ 35,00 com a compra do presente.
Carlos Henrique Lopes da Silva, 15 anos, disse que não teve muito trabalho para encontrar um urso de pelúcia para a namorada. Clarissa Pires, 20, também achou a tarefa fácil, mas Mariana Cunha ainda está indecisa. ''Ano passado, parece que as pessoas tinham mais dinheiro'', comentou. Os três entrevistados são estudantes e circulavam pelas lojas de um dos shoppings da cidade, ontem à tarde, olhando vitrines e analisando as mercadorias.


