Mesmo com o anúncio feito pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT) de fiscalizar as lojas que permanecessem abertas ontem à tarde, alguns estabelecimentos do centro de Londrina funcionaram normalmente até as 18 horas. Ao contrário das lojas do Centro, o comércio da Avenida Saul Elkind, nos Cinco Conjuntos (zona norte), preferiu baixar as portas e evitar as possíveis multas. ''Se todo mundo ficasse aberto, eu também ficaria. Mas pagar a multa é pesado e prefiro fechar por medo'', afirmou Renê Marcos Salina, gerente de uma loja de tintas.
A fiscalização foi solicitada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Londrina, que reclama da falta de pagamento de horas-extras e compensação de trabalho por parte de algumas lojas. O presidente do sindicato, José Lima, garantiu que se as lojas respeitassem o direito dos trabalhadores, não haveria problemas na abertura aos sábados à tarde. ''O funcionário gosta de trabalhar, porque recebe para isso. Mas tem muita loja que não paga nada e o vendedor não ganha muito em comissões. Ocorre um desgaste físico e psicológico pelo excesso de trabalho e falta de remuneração'', afirmou.
Mas a alegação feita pelo sindicato não é sustentada por grande parte dos trabalhadores e donos de lojas da zona norte. A gerente da Bolivar Calçados, Madalena Camargo, disse que todos os funcionários recebem hora-extra e folgam durante a semana para compensar o trabalho aos sábados. Ela garantiu que a loja e os vendedores irão perder muito com o fechamento depois do almoço. ''Cerca de 60% das vendas acontecem nos finais-de-semana, principalmente no sábado à tarde. Fechar é ruim para o funcionário, que deixa de ganhar, e para a loja, que talvez tenha que dispensar pessoal pela queda nas vendas'', comentou.
A vendedora Diná Cristina da Silva confirmou o pagamento por parte dos patrões e disse preferir trabalhar nos fins-de-semana e folgar nos dias úteis. ''Até abaixo-assinado nós já levamos pedindo para abrir de sábado à tarde e domingo de manhã. Além de ganharmos mais, temos folga durante a semana para levar um filho ao médico, por exemplo'', argumentou. O gerente das Lojas Riachuelo, Carlos Roberto de Júlio, garantiu que a loja vai continuar abrindo e recorrendo das multas. ''Nossos funcionários trabalham uma hora a menos por dia e compensam isso no sábado. Não estamos inflingindo a lei'', declarou.

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