Lojistas querem preço diferente para cartão
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quarta-feira, 19 de novembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Com a redução das vendas e o aumento das taxas de juros, os lojistas elegeram os cartões de crédito como os mais novos vilões do comércio. Eles estão contra as taxas cobradas pelas administradoras e por isso querem manter a possibilidade de cobrar preços diferenciados nas compras à vista e nos cartões de crédito. A Secretaria de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda baixou uma determinação que impede a cobrança de dois valores.
Segundo o Ministério da Fazenda, o preço aplicado no comércio tem que ser único. O pagamento com cartão de crédito é considerado à vista, independente da fatura só ser cobrada após um mês. A extinta Sunab também mantinha esta condição e acabava punindo as lojas que aplicavam dois preços distintos para a mesma mercadoria comprada no cartão ou em dinheiro.
Os lojistas apresentam números para mostrar que perdem dinheiro quando aceitam vender através do cartão de crédito. Nós só recebemos após 30 dias como ainda pagamos taxas para as administradoras que vão de 3,5% até 5%, afirmou o presidente da Associação Comercial do Paraná, Ardisson Akel. O mercado é dominado hoje por três empresas de cartão de crédito: Visa, Mastercard e Amex (American Express e Solo).
A luta dos comerciantes também inclui os Procons. Os órgãos de defesa do consumidor estão aplicando multas de até R$ 135,00 em lojistas que cobram preços diferenciados para o pagamento em dinheiro ou no cartão de crédito.
Os lojistas dizem que, se não puderem fazer a diferenciação nos preços, quem vai ficar no prejuízo é o consumidor que queira pagar suas compras com dinheiro. Se pudermos dar descontos no pagamento à vista com dinheiro, o consumidor sairá lucrando, pois pagará menos, disse Ardisson Akel. Ele ressaltou que os comerciantes aguardam a liberação do governo para reduzir os preços à vista e não para aumentar os preços das compras a prazo.


