As vendas a prazo no comércio de Londrina ainda não estão refletindo a alta dos juros determinada anteontem pelo Banco Central. Na loja Ponto Frio, o gerente José Roberto Vicentini afirma que as taxas continuam as mesmas: para compras parceladas de cinco a 16 vezes, 6,5% ao mês. Vicentini não acredita que haja uma alta no juro do comércio. ‘‘Já está difícil agora’’.
Na loja Colombo, o gerente Nilson Pereira disse que a matriz também não passou informações novas sobre juros. A taxa cobrada pela loja, segundo ele, é de 2% para 30 dias. ‘‘Se houver mudança, deve ser na semana que vem’’. O diretor de uma escola de Londrina, que não quis divulgar o nome, buscava ontem informações sobre juros bancários. Segundo ele, a escola trabalha com a conta descoberta durante 15 a 20 dias por mês. ‘‘E os juros de 9% a 10% já são excessivos’’.
Na agência Centro do Banestado, o assistente gerencial Edson Alberto Patriarca revelou que ontem se sentiu como um operador de bolsa de valores. ‘‘Durante todo o dia, recebi muitos telefonemas de clientes preocupados com os juros. Outros vieram pessoalmente atrás de informações’’, conta. Ele diz que os clientes de cheque especial devem ficar atentos às contas descobertas nesse período - que ele acredita que será curto - de juros altos.
O diretor do setor industrial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, também está otimista. ‘‘É claro que não deixa de ser uma nuvem negra na economia, mas acredito que nos próximos dias vai haver uma estabilização’’. Segundo Orsi, essa alta não vai influenciar as relações entre indústria e comércio. ‘‘A indústria não pode parar as máquinas. Os compromissos assumidos, com pagamento de 30 e 60 dias, vão ser cumpridos. Quando vencer o prazo de pagamento, a situação já voltou ao normal’’, profetiza.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Igarassu Louzada, teme que a situação se agrave. ‘‘Se acontecer no Brasil o que houve no México, na Argentina e em Hong Kong, vamos levar dois ou três anos para nos recuperar’’. Louzada acredita que as grandes redes varejistas devem suspender as vendas a prazo até se situarem no novo cenário. ‘‘As pequenas e médias lojas vão seguir o mesmo caminho das grandes’’, afirma. O juro alto vai provocar uma estagnação das vendas - avalia. ‘‘As perspectivas para o final do ano já não eram boas. Se o juro alto persistir, vão piorar’’.(Carina Paccola)

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