Poucas horas após o governo ter anunciado medidas para conter o crédito ao consumidor, na última sexta-feira, lojistas e empresários já haviam criado e resgatado fórmulas para ‘‘driblar’’ as novas restrições ao consumo impostas pelo governo. Como as medidas anunciadas aumentam a tributação sobre o crédito ao consumidor somente a partir de hoje, a primeira providência dos comerciantes mais ousados foi convencer os consumidores a fecharem contratos com datas retroativas.
A estratégia consiste em colocar, nos contratos de financiamento, data anterior à da publicação das medidas no Diário Oficial. Isso porque, segundo a lei, um aumento de impostos instituído em um determinado dia não pode atingir operações realizadas em dias anteriores. A solução, controversa aos olhos da Receita Federal, deverá ser mais utilizada na compra de produtos mais caros, como automóveis. Isso porque o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), de 6% para 15%, será mais sentido nos contratos com maior número de prestações e menores taxas de juro - exatamente as condições de venda de carros a prazo.
A Agência Folha apurou que as poucas vendas a prazo de carros realizadas no final de semana envolveram contratos com data retroativa. Outra saída encontrada pelos comércio são as chamadas ‘‘operações triangulares’’, comuns no mercado de veículos e já utilizadas no passado. Essas operações consistem em fazer com que os recursos para a aquisição do automóvel cheguem ao consumidor sob a forma de empréstimo comum, e não crédito ao consumidor. O banco financia a concessionária, e esta ‘‘empresta’’ o dinheiro ao consumidor. Esse tipo de operação fica fora do alcance das medidas anunciadas na sexta-feira.

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