Lojistas dizem que passeata de comerciário foi 'baderna'
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terça-feira, 30 de maio de 2000
Benê Bianchi De Londrina 
O Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval) distribuiu nota ontem à imprensa repudiando o comportamento dos comerciários que participaram de manifesto, organizado pelo Sindicato dos Empregados no Comércio, na tarde do último sábado. A passeata foi convocada para protestar contra o horário adotado por parte do comércio central, que passou a abrir até 18 horas respaldado em decisão judicial.
Não se tratou de um manifesto democrático e ordeiro como declarou o Sindicato dos Empregados. Os manifestantes chutaram portas, ofenderam verbalmente os proprietários de lojas e rasgaram banners de promoção, como foi o caso da Riachuelo que teve sua faixa arrancada de frente da loja, rasgada e jogada no chão, diz a nota.
Ontem à noite, os comerciantes se reuniriam, no Hotel Sahão, para discutir quais atitudes devem ser tomadas contra o posicionamento dos comerciários. Precisamos tomar providências contra a baderna. Temos que conciliar os interesses dos consumidores, dar empregos e evitar o fechamento de lojas, como vem ocorrendo na cidade, diz o presidente da entidade, Sinésio Scudeler.
Na nota distribuída à imprensa, o Sincoval cita o apresentador Barbosa Neto e o vereador Sidney de Souza como pessoas que circularam juntos nesta arruaça e que se esquecem de usar de igual empenho a favor dos funcionários dos shoppings. Cita ainda que são realizadas constantes feiras no Armazém da Moda, que também funciona nos finais de semana. Londrina é uma cidade com dois pesos e duas medidas, diz a nota.
O gerente da Loja Riachuelo, Antonio Andrade Sampaio, foi uma das vítimas das agressões verbais. Segundo ele, o movimento parou em frente à loja e ele teria sido ofendido com palavras de baixo calão. Chegaram a falar, no carro de som, que da próxima vez a loja será invadida, comenta ele.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, diz que recebeu com tristeza a notícia do comportamento dos comerciários. A manifestação é um direito de todos, mas esse comportamento não condiz com a categoria, diz ele. Na opinião de Orsi, os comerciários estão vivendo um conflito de modernidade e o sindicato é o responsável por não levar a eles informações. Hoje, todas as profissões trabalham nos finais de semana. Ele informa que a Acil deve se manifestar hoje sobre a passeata de sábado, mas não quis adiantar de que forma.
O presidente do Sindicato dos Comerciários, José Lima do Nascimento, rebate as acusações e diz que não houve agressões verbais. O movimento foi pacífico, afirma. Segundo ele, participaram do movimento cerca de 600 comerciários, que apenas mostraram seu repúdio à falta de respeito a um direito adquirido ao longo dos anos. Se houve qualquer agressão eu não vi, mas lamento.
O vereador Sidney de Souza também confirma que ninguém passou dos limites e esclarece que Barbosa Neto apenas passou pelo local da manifestação, mas não acompanhou a passeata. Ele acusa o Sincoval de ser inoperante e omisso e de se pautar no pensamento de poucas lojas para defender o novo horário de abertura do comércio.


