Luis Nardelli, diretor da ACP: ‘‘Nossas idéias acabaram’’O Plano Real trouxe a estabilidade da moeda para o comprador e a dor de cabeça da inadimplência para o vendedor. Desde que a inflação caiu para patamares aceitáveis, o comércio convive com um número cada vez mais crescente de consumidores, que não conseguem pagar as contas em dia. Sem perspectiva de mudança a curto prazo, os lojistas decidiram apelar para a ajuda internacional. Hoje e amanhã eles se reúnem em Curitiba para ouvir de economistas estrangeiros o que pode ser feito no País para conter a onda de calotes.
O encontro vai debater as alternativas de vendas no crediário para os comerciantes. O tema do seminário é ‘‘Crédito no Mundo’’. Especialistas europeus e norte-americanos vão relatar como é o processo de vendas a prazo em países com economia estável e como é ter taxas de juros muito abaixo das praticadas no mercado brasileiro.
Estão agendadas ainda palestras com economistas da Bolívia e da Colômbia. Eles vão falar sobre a inadimplência em países que vivem uma economia com oscilações semelhantes à vivida no Brasil. ‘‘Já fizemos tudo o que podíamos fazer para tentar conter a inadimplência. Nossas idéias já se acabaram, por isso estamos querendo saber o que acontece em outros países’’, afirmou o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Luis Nardelli.
O País convive com uma taxa de inadimplência recorde. Há três meses, o comércio da Região Metropolitana de Curitiba tem apresentado números crescentes de consumidores que não pagam em dia o crediário. De janeiro a março, a inadimplência média da população economicamente ativa foi 59% maior do que no trimestre anterior.
No mês passado, a inadimplência chegou a atingir 39,7% dos compradores. A cada dez consumidores, quase quatro não conseguiram honrar o compromisso de compra e entraram para a lista do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O número de registros no SCPC é de 735,3 mil pessoas.
A inadimplência em março apresentou um aumento de 48% em relação ao mês anterior e um crescimento de 63,8% na comparação com o mesmo mês no ano anterior.
Os comerciantes atribuem os números crescentes à necessidade de compra da população que não tinha acesso aos produtos antes da estabilidade. ‘‘Por muitos anos, o País foi injusto com a população, pois impedia que ela tivesse acesso às compras’’, afirmou Nardelli.

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