Não há muito mais o que inventar em termos de promoção, mas alguns lojistas se diferenciam de outros no item ‘‘desafio’’. Caso do polêmico Rachid Zabian. Dono de três grandes pontos de venda de confecções em Londrina, voltados mais para as classes C e D, Rachid garante que ninguém liquida como ele. ‘‘Eu não coloco o preço à vista lá em cima, embutindo juros, e depois saio por aí falando que é o mais barato, ou o melhor’’.
Nesta segunda-feira o consumidor poderá comprovar isso. ‘‘Vamos fazer a tradicional liquidação da 2ª quinzena de fevereiro, vendendo mercadorias abaixo do custo durante dez dias’’, anuncia o lojista, lembrando que na edição anterior era grande o número de consumidores que esperavam, diariamente, a abertura da loja para ‘‘levar a melhor’’ na disputa pelas confecções à disposição.
Enquanto o concorrente vende - em promoção - uma calça de linho Braspérola por R$ 32,90 à vista, Rachid cobra R$ 29,90 até em cinco prestações. Pura estratégia de mercado, que ele mesmo explica ao falar da liquidação: ‘‘Trabalhamos com estoque alto, e vendendo tudo à vista, abaixo do custo, ganhamos definitivamente o consumidor e podemos fechar um melhor negócio na compra de mercadorias para o inverno.’’
Melhor preçoOutra grande festa para o consumidor está sendo preparada pelos cerca de 200 lojistas do Catuaí Shopping Center. Nesta terça-feira eles devem se reunir para anunciar a data. Será uma liquidação/promoção, a ter início provavelmente no dia 25, comenta o presidente da associação dos lojistas, Kentaro Takahara.
É o que todo comerciante promete: o melhor preço. Presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Igarassu Louzada diz que para quebrar a resistência do ‘‘consumidor descapitalizado’’ por festas e férias, ‘‘o comerciante se esforça para colocar a sua loja em evidência, fazendo promoções ou botando à venda mercadorias a preços baixos.’’
Louzada explica que todos os segmentos, exceto alimentação e eletrodomésticos, empurraram janeiro com a barriga e agora vislumbram uma boa oportunidade para (re)criar seu fluxo de caixa - ferramenta importante nessa nova economia, observa Louzada. ‘‘O que vai fazer a diferença é o fluxo de caixa da empresa, e não mais o estoque.’’
Circulando pelo comércio ele vê lojistas com margem menor de lucro (a Fipe registrou: os preços caíram 4,62% de janeiro de 96 a janeiro de 97). Louzada também vê esses mesmos lojistas concedendo descontos de 30% ou 40% no preço à vista. ‘‘Isso é bom’’, afirma. Louzada também aprova um juro médio de 4% ao mês, considerando que há perdas e inadimplência rondando o comerciante. A loja dele, de confecções, trabalha nesses termos, dentro da política atual de prazos longos e até sem entrada.
Com as classes C e D entrando no mercado consumidor, o comércio começa a apostar mais em sistemas de vendas específicos. Caso da ‘‘conta programada’’ que Móveis Brasília (e outras lojas da cidade) oferece como opção. Não se trata de consórcio, avisa logo o gerente Wilsonei de Matos. ‘‘É um jeito de satisfazer o desejo de compra do cliente sem exigir muito; estamos investindo pra valer na conta programada, e temos um bom retorno.’’
Pelo sistema, o consumidor compra, por exemplo, um televisor de R$ 459 em 18 parcelas de R$ 25,50. Pagando 50% das prestações, ele leva o produto. ‘‘O criador desse sistema de vendas foi o próprio consumidor; os noivos que queriam comprar antes do casamento, pagando aos poucos’’, conta o gerente. O plano ajuda muito, segundo Matos, a disposição da indústria de dar mais prazo para o comércio - ‘‘as fábricas de móveis esperam até 90 dias’’, informa.

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