A casa de produtos para animais de estimação agora é identificada como pet-shop, o salão de beleza foi batizado como hair, a moda é fashion e o desconto é off. Os termos de origem estrangeira, quase todos em inglês, estão dominando a comunicação comercial. É difícil encontrar uma loja que não tenha algumas dessas expressões. Os consumidores até admitem o uso dos termos estrangeiros, mas condenam os excessos. Segundo eles, isto pode causar um efeito contrário: afastar os clientes ao invés de atraí-los.
O professor universitário Diego Rigon Menão acredita que o uso de termos estrangeiros se deve, de forma especial, à influência externa na cultura brasileira. ''Acho que há predominância pela facilidade de entendimento; muitas vezes, nós brasileiros entendemos melhor o inglês que o português.'' Apesar disso, ele acredita que nem sempre o sentido que se dá à palavra corresponde à língua original. E cita, por exemplo, o termo ''off'', que sugere a existência de um desconto no preço da mercadoria.
Na opinião do professor, o uso excessivo de termos estrangeiros pode até afastar os clientes das lojas. ''Por isso, acho que é uma questão de bom senso dos lojistas a utilização desses termos apenas em algumas situações''.
Para a bancária Liliane Bueno, o uso dos termos estrangeiros nas lojas se deve à adoção do estilo comercial norte-americano. ''O comércio usa este padrão para mostrar que é chique, que é evoluido'', afirma. Segundo ela, o maior problema é que o uso de alguns termos não corresponde à sua fiel tradução.
Liliane concorda que as lojas poderiam usar o termo ''off'' para indicar um desconto, mas acha que o significado em português deveria estar junto. A bancária defende a criação de uma lei para evitar os excessos dos termos estrangeiros no comércio. ''Tem tanta legislação inútil no Brasil; por que, então, não se fazer uma coisa útil?''
A auxiliar administrativa Camila Ariane acha que o uso de termos estrangeiros no comércio dificulta a vida do consumidor. ''Muitos desses termos são desconhecidos e não esclarecem algumas características do produto'', justifica. Para ela, o excesso desses termos, além de desvalorizar a lingua portuguesa, ainda cria uma espécie de barreira entre as lojas e os consumidores. ''O comércio deveria fazer pesquisas para saber qual a melhor forma de se comunicar com seus clientes e trocar aqueles termos pela nossa língua mesmo.''
Camila critica o uso de termos estrangeiros inclusive pelos vendedores de alguns estabelecimentos, principalmente em farmácias. ''Apesar de estar tudo informatizado, várias pessoas ainda não entraram na era digital e a maioria ainda fica meio perdida com esses termos'', afirma

Para professor, há falta de originalidade
  O professor de Marketing, Fabiano Galão, analisa o uso excessivo de termos estrangeiros pelo comércio sob dois aspectos. Em primeiro lugar, ele diz que a maioria das expressões do merchandising tem origem norte-americana e este tipo de influência se espalha aos pontos de venda em vários de países. Em segundo lugar, o professor afirma que há falta de originalidade em se usar tais expressões de forma indiscriminada. ‘‘As lojas não sabem o que fazer para se comunicar melhor com seus clientes e todas fazem igual; é uma espécie de cópia’’, relata.
  Galão diz, por exemplo, que o termo ‘‘off’’ pode ser visto em dezenas de lojas. ‘‘O consumidor nem sempre sabe o que significa, mas por dedução sabe que se trata de um des-conto’’. Ele acrescenta, entretanto, que mais importante do que o próprio termo é, neste caso, que o desconto seja realmente verdadeiro.
  O professor explica que a adoção dos termos estrangeiros é uma tentativa de parte do comércio para transmitir
‘‘glamour’’. (Glamour, só para esclarecer, significa charme, encanto). (E.A.)

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