Lojistas abrem as portas mesmo com decreto estadual


Viviani Costa - Grupo Folha
Viviani Costa - Grupo Folha

Filas em frente às agências bancárias, funcionários trabalhando na organização das lojas e movimentação no Calçadão de Londrina. A cena rotineira se repetiu na manhã desta quarta-feira (1º) mesmo após decreto estadual com medidas mais rígidas para evitar a propagação do coronavírus. Entre as restrições impostas pelo Governo Estadual está a suspensão dos serviços considerados não essenciais, como o comércio. O descumprimento pode acarretar multas e a cassação do alvará e da inscrição estadual.



Lojistas abrem as portas mesmo com decreto estadual
Viviani Costa/Folha de Londrina
 





Vendedores e funcionários do comércio ouvidos pela reportagem contaram que foram orientados a trabalhar normalmente, já que o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, não se manifestou sobre a aplicação das novas normas e sobre a fiscalização na cidade.




Lojistas abrem as portas mesmo com decreto estadual
Isaac Fontana FramePhoto - Folhapress
 




“A gente fica muito dividido. Pode até estar sobrando leitos aqui, mas se não tiver funcionários, remédios, isso não adianta. Eu tenho medo da Covid, mas também acho que vai ter muita demissão se as lojas fecharem de novo. Se fechar fosse resolver o problema, a gente sacrificaria esse tempo”, contou uma funcionária que preferiu não se identificar.


“Se é pra radicalizar, por que nos mercados não têm um reforço na fiscalização também? Olha o tanto de gente que fica aglomerada lá. A lei tem que valer para todos. Queremos saber por que o comércio tem que fechar em Londrina. Qual é a explicação para isso? Quando a gente fecha as portas fica sem o apoio de ninguém e a pessoa que aluga o espaço da loja vai querer receber do mesmo jeito. A gente vai pagar isso como?”, criticou a comerciante Eliane Aparecida Bezerra.


“Isso tudo assusta porque se você não morrer com a doença, pode morrer pela falta de outras coisas básicas… Sou mãe solteira. Tenho um filho de 9 anos. Meu aluguel custa R$ 1 mil. O que a gente ganha é pouco, é só para se manter mesmo. Na nossa loja fica uma pessoa na porta o dia inteiro para controlar o acesso dos clientes. Acho que tem que ficar aberta mesmo. Muita gente depende disso. Muita gente já foi dispensada e mais gente ainda pode ficar sem nada”, lamentou uma funcionária que também preferiu não se identificar.


Segundo o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina, major Nelson Villa, a corporação continua cooperando com a Guarda Municipal nas fiscalizações sempre que é acionada. Durante a manhã, viaturas da Polícia Militar e da Guarda Municipal circularam pelo Calçadão.


Sincoval cobra posicionamento de Belinati


Por meio de nota, o Sincoval (Sindicato o Comércio Varejista de Londrina) cobrou um posicionamento do prefeito Marcelo Belinati (PP) em relação ao decreto do governador Ratinho Júnior (PSD) que endureceu a quarentena para o segmento econômico. 


A entidade patronal reforçou “a urgência e necessidade de uma avaliação emergencial” do decreto devido aos impactos que terá em relação ao comércio.  A manifestação oficial argumenta que o fechamento das lojas por 14 dias, somado ao anterior, no início da pandemia, será “determinante para um inevitável fechamento definitivo de empresas” que conseguiram superar o primeiro período sem atividades, mas que não terão condições de enfrentar as consequências do decreto. 


O Sincoval ainda defende que o planejamento e as ações tomadas pela Prefeitura de Londrina no combate à pandemia do novo coronavírus, como o aumento do número de leitos, aquisição de insumos e capacitação e contratação de mais profissionais de saúde para atuar na linha de frente “favorecem uma análise criteriosa e assertiva da prefeitura”. 




(Atualizado às 15h41)

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