São Paulo - As grandes redes varejistas não vão aumentar os juros ao crediário neste ano, mesmo com o aumento na Selic - a taxa básica do mercado que influencia toda a atividade econômica do país. A estratégia adotada foi outra, mas, de forma indireta, terá efeito no valor pago pelo produto.
Explica-se: para reduzir o custo financeiro da alta na taxa, há redes que mudaram a composição da cesta de produtos e dos prazos de pagamento, apurou a Folha.
Ampliaram os prazos de venda dos eletroeletrônicos neste mês e mudaram a categoria em que as mercadorias estavam inseridas na tabela de juros da loja. Por exemplo: se antes 100 itens eram comercializados com taxa de 3% ao mês e 150 com taxa de 2%, agora só 50 terão a taxa menor.
São mudanças sutis, que o consumidor não percebe. No entanto o resultado dessa equação encarece o produto vendido a prazo. Parte do custo financeiro sentido pela loja após a alta da Selic é repassada, mas não há efeito psicológico negativo no mercado, pois os aumentos nas taxas, oficialmente, não acontecem. ''Quando o juro sobe, a loja não tem de aumentar suas taxas imediatamente para repassar esse peso. Elas podem embutir reajustes no preço à vista ou podem negociar melhores pacotes de venda com a indústria para não pressionar a margem da loja. Enfim, mecanismos que, em certos casos, podem encarecer as mercadorias de qualquer forma'', diz Alberto Serrentino, sócio da consultoria de varejo GS&MD.

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