Lojas podem economizar R$ 1,2 bi com operação integrada de cartões
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quinta-feira, 01 de julho de 2010
Célia Froufe<br>Agência Estado 
Brasília - O comércio varejista conquistará uma economia de R$ 1,2 bilhão com o início da operação integrada das credenciadoras de cartões de crédito desde ontem. A projeção foi feita pelo presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior. Até então, os lojistas tinham que ter em seus estabelecimentos pelo menos duas maquininhas das duas principais empresas (Cielo e Redecard). Com o fim da exclusividade com a Visa e a Mastercard, respectivamente, um só aparelho fará as duas funções.
O cálculo do executivo é baseado no aluguel pago mensalmente pelos lojistas, que varia de R$ 80 a R$ 140, de acordo com o tipo do equipamento. Ele salientou que, no caso de uma mercearia com faturamento mensal de R$ 4 mil, o valor pago para ter uma POS (Point Of Sale, na sigla em inglês) é equivalente ao gasto com energia elétrica. ''Os preços não vão cair hoje à tarde por causa disso, mas vamos ter o início de concorrência'', apostou.
O próximo efeito dessa nova configuração de mercado, segundo Pellizzaro, é a redução da taxa de desconto. A expectativa é de que a taxa paga pelo lojista às credenciadoras seja reduzida em um intervalo de 30% a 35% em 24 meses com a concorrência entre as empresas do setor.
Essa concorrência, de acordo com ele, se dará não só pela atuação das duas gigantes do setor, mas também pela expectativa de que novos players entrem no mercado. O Banco Santander já providencia a atuação no setor por meio da GetNet, por exemplo. Além disso, segundo Pellizzaro, outras empresas do ramo já mostraram interesse em ingressar nesse mercado no Brasil.
Para acelerar os efeitos do fim da exclusividade para o comércio, a CNDL se comprometeu a realizar pesquisas em suas 1,6 mil unidades espalhadas pelo Brasil para identificar quais as taxas cobradas pelas credenciadoras de cartão de crédito em cada segmento comercial. A ideia é a de que com a exposição de tarifas, haja mais velocidade no processo de ganho ao lojista.
O presidente da Frente Parlamentar Mista do Comércio Varejista, deputado Guilherme Campos (DEM-SP), que também é lojista, também prevê uma melhora para o setor. Ele, no entanto, não se diz tão otimista quanto Pellizzaro em relação ao ritmo do processo de mudança.
Uma das preocupações dos lojistas diz respeito a problemas no sistema idênticos ao que ocorreu na véspera do Natal, no ano passado, com a credenciadora Redecard. ''Perdemos muitas vendas e a empresa disse que não ressarciria o comércio, pois também teve prejuízos'', lembrou o presidente da CNDL. Ele disse, porém, que o fato de não existir uma agência reguladora para o setor compromete a indústria.


