Curitiba - Fazer compras com pagamento a longo prazo é uma prática que tem sido evitada por muitos consumidores. A instabilidade econômica do País e o consequente medo de perder o emprego estão tornando o brasileiro mais prudente nas suas compras. De olho nessa realidade, muitas empresas estão oferecendo aos seus clientes ‘‘seguro desemprego’’ na hora da compra. O consumidor adere aos planos e caso fique desempregado durante o período de parcelamento, tem parte das prestações quitadas pelo seguro.
Uma das empresas que adotou este tipo de programa é a rede Magazine Luiza, que oferece o serviço desde fevereiro deste ano. Segundo o gerente financeiro Carlos Renato Donzelli, o valor do seguro varia de R$ 9,00 a R$ 15,00, em parcela única. Se o cliente perder o emprego, tem a garantia de seis prestações pagas. ‘‘Ficou determinado que a cobertura é de seis meses porque imaginamos que esse período é a média de tempo que as pessoas precisam para se recolocar no mercado’’, explica.
Para a empresa, segundo Donzelli, o ganho não é com o valor arrecadado na venda do seguro. ‘‘Nós ganhamos na queda da inadimplência’’, diz. Além disso, o cliente se torna ‘‘grato’’ à empresa por lhe dar cobertura num momento difícil da sua vida, e acaba se transformando um cliente fiel. A rede tem 111 lojas em todo o País e de fevereiro para cá, 40% dos consumidores que compraram no Magazine Luiza aderiram ao plano - informa o gerente.
A Casas Bahia, rede que tem 310 lojas espalhadas pelo Brasil, também oferece um produto semelhante ao do Magazine Luíza aos seus clientes. O seguro contra o desemprego é limitado a até seis parcelas de R$ 100,00 do financiamento na aquisição de produtos Brastemp, Consul e também na compra de móveis. A adoção do serviço foi fruto de pesquisa realizada entre os clientes, comprovando que um dos grandes motivos de inadimplência no pagamento dos carnês é a perda de emprego.
Para poder usufruir do serviço o consumidor tem que comprovar ser assalariado vinculado a uma empresa, ou seja, ter carteira assinada há 12 meses consecutivos num mesmo trabalho. Caso a demissão ocorra nos primeiros 31 dias depois do contrato de financiamento, o consumidor não tem cobertura. O seguro também tem a sua franquia. Ou seja, a primeira parcela que vence nos 31 dias subsequentes à demissão é por conta do cliente. O benefício não cobre demissão por justa causa, voluntária, adesão aos Planos de Demissão Voluntária e aposentadoria. A Casas Bahia não divulga quantos clientes já aderiram ao plano.
Além de cobrir o desemprego, os planos de seguro das duas empresas também dão cobertura para mortes. Neste caso, o financiamento fica quitado. O da Casas Bahia cobre ainda invalidez permanente por acidente e incapacidade física total temporária por acidente ou doença. Lojas de confecções como a C&A e a Riachuelo também oferecem seguro aos seus clientes.

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