Lojas mudam conceito e investem nas gordinhas
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Até alguns anos atrás, as gordinhas eram fadadas a usar túnicas largas e calças de elástico. A falta de imaginação no vestuário era e ainda é, em muitos casos fruto do preconceito em usar roupas justas, que marcassem as gordurinhas. Mas a pouca variedade no vestuário sempre foi principalmente resultado da falta de opções no mercado.
Essas pessoas, no entanto, começam a conquistar seu espaço dentro do comércio. Basta dar uma olhada nos novos shoppings que abrem nas cidades. Só no ano passado, em dois novos shoppings abertos em Curitiba as gordinhas conseguiram nada menos do que nove novas lojas de produtos exclusivos para elas.
Sinal de que os empresários começam a perceber esse novo filão, nada desprezável. Hoje, aproximadamente 58 milhões de brasileiros, o equivalente a 32% da população, estão acima do peso. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a quantidade de adultos obesos tem crescido de tal forma que o Brasil está prestes a alcançar a marca dos Estados Unidos, onde o número de obesos aumenta a cada ano, e a expectativa é que, em dez anos, 50% da população americana esteja acima do peso.
Foi justamente a falta de opções que levou Cíntia Zenthner a pedir a conta de seu emprego como atendente em uma loja de celulares, há pouco mais de um ano, para abrir uma loja de roupas para mulheres, com numeração entre 46 a 60. ''Resolvi abrir a loja porque, como também sou gordinha, eu sentia na pele o problema. Quando encontrava uma roupa interessante, achava o preço sempre muito caro'', conta ela, que há um ano e dois meses abriu a loja Espaço G no Shopping Total, no bairro Portão, em Curitiba. Há seis meses, abriu sua segunda loja, desta vez no Shopping Cidade, no bairro Boqueirão.
As lojas existentes, hoje, atendem a todos os gostos e idades. Nas oito lojas do Shopping Cidade, por exemplo, há desde as tradicionais túnicas e calças de elástico, passando por conjuntos de tencel, jeans, até chegar a vestidos de festa. De acordo com Cintia, as gordinhas, hoje, não têm mais vergonha de usar roupas que delineiam o contorno do corpo. ''A túnica já era'', sentencia, ressaltando que a maioria prcura roupas mais estruturadas, semelhantes aos modelos vendidos em outras lojas, mas que não dispõem de números grandes.
''O jeans é o campeão de vendas, principalmente entre os jovens'' diz. Outros produtos mais procurados são os conjuntos de calça e blusa de tencel, calça de oxford (tipo de tecido com stresh), e vestidos de festa. Ela ressalta que os preços das roupas tamanho grande sempre são mais altos, uma vez que necessitam de maior quntidade de tecido. Outro item que encarece é a qualidade da roupa. ''Tem que ter um acabamento mais reforçado, um tecido mais resistente, já que a roupa de pessoas acima do peso sempre corre mais risco de esgarçar ou descosturar'', conta.
A diferença de preço pode chegar a quase três vezes mais. É o caso de uma calça de oxford, por exemplo, que normalmente custa R$ 25, enquanto no tamanho G pode chegar a até R$ 60. Cintia acredita, no entanto, que com o crescimento da concorrência os preços também podem cair.


