Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
Apesar do artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, no inciso 3, exigir que todos os produtos colocados à venda tenham etiqueta com preço e forma de pagamento, um breve passeio pelas ruas e shoppings mostra que poucos comerciantes cumprem a lei. As justificativas são diversas e o maior interessado, o consumidor, na maioria das vezes não reivindica seu direito.
Essa situação é comum em todas as cidades do País. No calçadão de Londrina pôde ser constatada na quinta-feira pela Folha numa rápida visita às lojas. Na Casa do Óculos, por exemplo, nenhuma das unidades expostas nas vitrines possuíam etiqueta com preço. No entanto, todas exibiam um código de referência para consulta em tabela.
‘‘Todos os nossos produtos são importados e a variação constante do câmbio dificulta a troca de preços. Eu sei que a tabela deveria estar à vista do público, mas ninguém nunca exigiu’’, disse o gerente Fernando Cesar Zamuner, que a partir de agora promete colocar a tabela de preços na vitrine da loja.
Na Capital Discos os produtos com etiqueta trazem apenas o preço à vista. Segundo o gerente Agrício Pinheiro Gonçalves, a razão é que a empresa só vende produtos dessa forma ou no cartão de crédito. No caso dos CDs, ele disse que o código de tabela fixado na embalagem substitui a etiqueta, facilitando o auto-atendimento. Para Gonçalves, é uma maneira de otimizar a localização dos produtos e agilizar a consulta.
O gerente Vanclei Tomé da Silva, da Bolivar Calçados, também disse que é costume da loja expor apenas o preço a prazo. Ele sabe que existe uma lei que preve o esclarecimento do consumidor sobre preço e pagamento, mas disse que nunca recebeu reclamações por não cumprí-la à risca, muito menos vinda de algum fiscal.
Na Daron Móveis pouquíssimos produtos tinham a etiqueta de preço. O gerente Amauri Righeti afirma que dessa forma atrai mais clientes. ‘‘No momento da consulta podemos ganhar um comprador através da negociação. Se o preço estivesse à vista, às vezes ele nem entraria no estabelecimento para analisar melhor o produto’’. Mas quando está do outro lado do balcão, no papel de consumidor, Righeti disse que procura se informar ao máximo sobre tudo o que compra e pechinchar o quanto pode. ‘‘A conversa é a arma do bom vendedor’’, diz.
O pedreiro Valdomiro Firmino da Silva afirma que mesmo sentindo-se lesado quando não encontra etiqueta de preço num produto que observa, não questiona o fato. Ele acredita que isso poderia melindrar o fornecedor e prejudicar o negócio.
Embora nenhum artigo na vitrine da Juli Modas apresentasse preço visível, a proprietária Ilva Scaramal Bicas, disse que normalmente discrimina o preço de cada peça em exposição. ‘‘Com a correria de final de ano ainda não tivemos tempo de nos organizar’’. Ainda assim, ela afirma que em sua loja o consumidor pode saber o preço se procurar a etiqueta dentro da peça de roupa.
Para a dona-de-casa Marineusa Batista Marchine é um incômodo ter que entrar em uma loja para saber o valor de um produto quando poderia descobrir olhando a vitrine.
O coordenador geral do Procon de Londrina, Rogério Farah Marçal, acredita que a desinformação dos consumidores e o comodismo são as principais razões para a falta de etiquetas de preço nos produtos. ‘‘Não há justificativa aceitável para o comerciante esclarecido deixar de expor ao público o preço de suas mercadorias’’.Tática é ‘empurrar’ o cliente para dentro da estabelecimento, fechando a venda na base da ‘conversação’
Paulo WolfgangCORPO A CORPOAmauri Righeti, gerente de loja de móveis: ‘‘Se o preço estivesse à vista, às vezes o freguês nem entraria’’Paulo WolfgangCacilda Rodrigues: ‘‘Quando não tem preço, desisto da loja’’Paulo WolfgangValdomiro da Silva: ‘‘Não falo para não melindrar vendedor’’

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