Lojas geek vendem mais com Pokémon Go
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terça-feira, 16 de agosto de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 


Com o lançamento do aguardado game para dispositivos móveis Pokémon Go, a procura por produtos relacionados aos personagens da popular série animada do fim dos anos 1990 aqueceu as vendas de lojas de perfil "geek". O jogo está trazendo a estas lojas novos clientes, mas o fato é que, por trás de Pokémon, existe um mercado desconhecido da maioria das pessoas e que sempre esteve em alta. O consumo de itens do card game da série continua levando jovens e adultos às lojas de games, quadrinhos e mangás (quadrinhos japoneses).
"Aumentaram bastante as vendas depois que lançou o jogo", confirma Katia Kuboiama, dona da K2 Mangá Point, em Londrina, que vende produtos de varejo e atacado para lojas daqui e de outros estados, como São Paulo. Com fabricação própria na cidade, a K2 comercializa bonés, camisetas, cosplay (roupas iguais às dos personagens da série) e pelúcias relacionadas à série e ao jogo. Os preços variam desde R$ 35 a camiseta a R$ 85 a pelúcia.
O item mais procurado é o boné igual ao de Ash, personagem principal da série Pokémon. Mas a empresa também fabrica bonés e camisetas com o tema dos três times de jogadores de Pokémon Go: Mystic (azul), Valor (vermelho) e Instinct (amarelo). A produção relacionada ao jogo começou antes de seu lançamento, dois meses atrás. "Tem pessoas que já definiram o time antes de o jogo sair", explica Katia. Quando o game foi lançado, ela lembra que foi preciso dobrar e aumentar um turno da produção de bonés e camisetas por causa da alta demanda. "Estamos chegando no limite do atendimento."
"Aumentou até a venda de bolinhas com Pokémons em máquinas de moedas", comemora Suzi Makuda, proprietária da UZ Games, loja localizada em um shopping de Londrina. No local, fãs da série se reúnem todos os sábados para jogar o card game da série em uma liga. Com o lançamento, Suzi conta que cresceram também as vendas de bonés, camisetas e até de créditos do Google Play (loja de aplicativos da Google) para gastar no jogo para smartphones e tablets.
Porém, desde que a série animada de Pokémon foi lançada, no final dos anos 1990, a venda de produtos licenciados foi uma constante, especialmente dos itens do card game da série. Nem mesmo depois que Pokémon deixou de ser exibido em TV aberta a procura cessou. "O card game nunca caiu. Sempre teve lançamentos e por isso a série sempre foi bem aceita. As pessoas ainda assistem muito pelo Netflix", observa Katia, da K2. "Não acredito que (a febre Pokémon) seja algo tão passageiro quanto muitos pensam. Pokémon já tem anos de casa e o game ainda tem muito a evoluir. Existem mais de 2,5 mil Pokémons (no jogo) e só foram lançados 150 até agora. Ainda está bem no começo."
Como a popularidade de Pokémon já tem 20 anos, o consumo de produtos relacionados aos seus personagens não é exclusividade das crianças. O vendedor Humberto Bacarim de Macedo, de 31 anos, é fã desde que a série foi lançada. Durante todo esse tempo, consumiu cartas e outros itens de Pokémon, hábito que se intensificou há três anos, quando voltou a competir em campeonatos do card game. Para manter suas cartas atualizadas - já que novos lançamentos saem a cada três meses -, Macedo diz que investe pelo menos 25% do seu salário todo mês em envelopes e packs de cartas, que custam de R$ 6 um envelope a R$ 80 um kit que inclui miniatura e cards promocionais. "Sempre colecionei cartas, action figures. A gente gasta muito com cards, a cada três meses tem coleção nova e a gente tem que gastar, não tem jeito."


