Lojas fechadas no Dia dos Namorados geram polêmica
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A definição de que o comércio de rua de Londrina não abrirá amanhã não impede que a polêmica continue. O problema se deve ao fato de o Dia dos Namorados, tradicional data comercial, coincidir neste ano com o Sagrado Coração de Jesus, padroeiro da cidade, lembrado sempre na semana seguinte à celebração de Corpus Christi. Com o fechamento das lojas, os empresários temem perder receita em um ano de economia em queda, enquanto trabalhadores se dividem entre os que preferem folgar em um feriado e os que gostariam de trabalhar na data e folgar na segunda-feira seguinte.
O acordo sobre feriados é definido na Convenção Coletiva da categoria, que vence sempre no mês de abril. No documento, é acordado, por exemplo, a troca do feriado de 10 de dezembro, aniversário de Londrina, pela folga no dia 2 de janeiro seguinte. Porém, o texto aprovado para este ano estipula a abertura até 21 horas nos dois dias que antecedem o Dia dos Namorados, mas considera que a data cairia numa quinta-feira, e não na mesma do feriado religioso.
Por isso, o Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval) tentou pedir a permuta do expediente na sexta-feira pela folga na segunda seguinte, em pedido encaminhado ao Sindicato dos Empregados do Comércio de Londrina (Sindecolon) no último dia 28. Porém, os representantes dos trabalhadores afirmam que, em consulta em lojas do Centro, os comerciários rejeitaram a troca.
Polêmica que deve se estender nos próximos meses. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, endereçou ontem um artigo à imprensa, no qual ataca o Sindecolon, por considerar "teimosia" o fato de a entidade não aceitar que as lojas abram no feriado. Do outro lado, o presidente do sindicato dos trabalhadores, José Lima do Nascimento, afirma que não pode passar por cima da vontade da categoria e que as entidades patronais buscaram negociação muito próximo à data.
Orsi diz que o Sincoval protocolou o pedido no dia 28, tempo que ele vê como suficiente para que o Sindecolon consultasse todos os comerciários. "Em três dias dava para fazer uma assembleia, tomar uma decisão. Havia tempo hábil, mas faltou vontade de fazer."
Lima conta que não seria possível convocar a categoria, mas que diretores foram em várias lojas do Centro para questionar os trabalhadores e a maioria absoluta rejeitou a permuta. "Não podem dizer que o sindicato é intransigente, porque representamos a vontade dos trabalhadores e sugerimos a abertura na quarta e na quinta até 21 horas. É preciso lembrar que sempre trabalhamos no dia 10 de dezembro, que é feriado, e nunca houve problema."
Para Orsi, os sindicalistas têm de se dispor a negociar em qualquer data, o ano todo, e não apenas na Convenção Coletiva. "Se forem precisos 365 aditivos, é preciso conversar sobre todos", diz. Lima diz que a afirmação vale para os dois lados. "Mandamos a proposta para a data-base em abril e eles não responderam até agora. Houve trabalhador que perguntou por que trabalhar no feriado se não teve aumento ainda."
O presidente do Sincoval, Roberto Martins, afirma que se trata de uma situação que não se repetirá nas próximas convenções. Ele lembra que até o prefeito Alexandre Kireeff recebeu representantes do Sindecolon, mas que não houve acordo.
Martins acredita que é preciso rediscutir com a sociedade o Código de Posturas do Município, que estabelece, entre outras coisas, o horário de funcionamento do comércio de rua. "Por que o sindicato dos empregados, que tem uma convenção coletiva assinada com o Sincoval para supermercados e outra para o comércio não aceita as mesmas condições para ambas?", questiona, ao completar que as lojas de rua trabalharam 98 dias a menos do que as de shoppings em 2014.


