Lojas faturaram 18,6% mais este ano
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de dezembro de 1996
Bete Fagundes 
O londrinense comprou mais neste Natal. Segundo levantamento da Associação Comercial e Industrial, feito na quinta-feira e de forma inovadora, o aumento médio da movimentação financeira chegou a 18,6% em cinco setores consultados: infantil, confecções, eletrodomésticos, calçados e jóias e relógios. Destes, o que mais evoluiu foi eletrodomésticos: vendas 34% superiores às do ano passado. Depois foram jóias e relógios (26%), confecções (18%), infantil (17%) e calçados (-2%).
Ao apresentar o balanço ontem à imprensa, o presidente da Acil, Abílio Medeiros, explicou que o resultado das vendas de calçados deve-se ao recuo de preços dos produtos em relação ao ano passado. O índice negativo não significa que o setor não vendeu; acontece que houve uma queda de preços em torno de 20% e, mesmo vendendo, os lojistas não conseguiram alcançar nem os resultados do ano passado.
Abílio Medeiros, acompanhado do vice-presidente comercial Júlio Louzada, explicou ainda a atitude inovadora da entidade, de buscar pela primeira vez no comércio informações mais precisas. Sabendo que todo balanço, principalmente depois de datas festivas, é baseado em uma ou outra declaração isolada e no movimento do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), nós procuramos os vários setores com algumas perguntas-chaves e tivemos, então, uma visão generalizada das vendas. Nossa intenção é aprimorar o serviço, contratando especialistas em pesquisas para as grandes datas.
A consulta ao comércio revelou uma queda geral de preços. Os produtos ficaram em média 11% mais baratos neste Natal e ainda assim os comerciantes - a grande maioria - apelaram para as promoções. De 75% a 80% das compras foram feitas a prazo, seguindo a máxima do Papai Noel: Compre agora e pague só no ano que vem - em fevereiro, março, abril. O consumidor também procurou levar mais produtos populares.
Foi um Natal gordo. Os índices do SCPC comprovam. Em dezembro de 95 foram feitas 136.711 consultas ao serviço. Em dezembro de 96 o número já foi 22,06% maior: 166.874. Nunca o SCPC registrou um volume desses, segundo o diretor responsável, Júlio Louzada. O acumulado no ano cresceu 20,99% sobre o período anterior. Passou de 1.014.576 para 1.227.589.
O comércio consultou mais o SCPC e o Protecheque para trabalhar com segurança. No ano passado, em dezembro, foram registradas 25.057 consultas ao Protecheque. Agora, 43.379. Alta, portanto, de 73,12%. O ano inteiro foi assim. Em 95, os comerciantes fizeram 180.217 consultas ao Protecheque. Em 96, quase 300 mil. Crescimento de 61,42%.
De um lado aparecem os comerciantes, vendendo mais e procurando maior segurança na concessão do crédito, do outro lado está o consumidor, não decepcionando nenhum pouco o comerciante. O registro de débito na Acil foi 17,78% menor em 96. Caiu de 59.354 para 50.390. Sobe, ao mesmo tempo, o número de cancelamentos de débito, de 22.724 para 27.656 neste ano. Significa que mais gente anda pagando as contas, limpando o nome. O aumento, neste caso, foi de 21,70%.


