As tradicionais liquidações dos meses de janeiro e fevereiro expõem as dificuldades que as lojas do centro de Londrina têm para articular uma campanha conjunta, chamando os consumidores para suas ‘queimas de estoque’. Na televisão ou jornais, o que os consumidores mais vêem e ouvem são as propagandas informando das liquidações realizadas pelas lojas instaladas em shoppings centers.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, não nega as dificuldades que as lojas de rua têm para institucionalizar uma campanha, mas ressalva que a entidade está atenta às oportunidades e estuda o desenvolvimento de um projeto que envolve toda a cidade. ‘‘Queremos promover o centro. E o lojista tem liberdade de chegar na Acil e propor idéias. Temos que ter uma ação que todos participem’’, diz ele. O projeto idealizado pela Acil envolve não só as lojas, mas também hotéis, bares, restaurantes etc. ‘‘Queremos trazer os consumidores da região para cá.’’
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Sinésio Scudeler acha que o desenvolvimento de uma campanha conjunta passa pela discussão do horário de abertura do comércio do centro. ‘‘Somos penalizados por não podermos abrir aos sábados à tarde’’, comenta ele. O comércio local abre por decisão judicial já reformada pelo Tribunal de Justiça que, tão logo seja publicada no Diário Oficial da Justiça, obrigará as lojas a retornarem ao horário normal de atendimento – das 8 às 18 horas de segunda a sexta-feira, e das 8 às 13 horas aos sábados.
‘‘Não podemos fazer campanha promocional porque não temos horário ampliado. Com isso não podemos contar com os consumidores de fora’’, revela Scudeler, acrescentando que são os visitantes que acabam sustentando uma campanha mais ampla. Outra dificuldade apontada por Scudeler é a dificuldade de o comércio do centro conseguir alvará para abrir aos domingos. ‘‘Ano passado, tentamos fazer uma liquidação aos moldes do que fez Maringá, com o Maringá Liquida. Mas precisávamos abrir no domingo e não conseguimos alvarᒒ, relata.
Os lojistas que têm comércio em shoppings e no centro apontam os custos como principal obstáculo para uma mídia individual. José Pedro Lima, proprietário da loja de fotografia Photopress, observa que em shoppings existe um grupo de lojistas tomando decisões conjuntas. ‘‘Do micro ao grande comerciante, todos sentam juntos para tomar decisões. Tem ainda a facilidade de se ter um fundo para publicidade. Sozinho, eu não tenho condições de bancar uma mídia e o comércio de rua não tem união’’, comenta ele.
O supervisor administativo da Capital Discos, Agrício Pinheiro Gonçalves, concorda que há maior facilidades para os lojistas de shoppings anunciarem suas promoções. ‘‘O shopping tem um fundo específico para isso. O comerciante do centro não tem caixa para mídia e mesmo que faça sozinho, pode não surtir o efeito desejado.’’ Para ele, a vantagem do comércio de rua é poder atender a população que não gosta de shopping ou acha que esses estabelecimentos vendem mais caro.

mockup