Lojas buscam segurança máxima contra o calote
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segunda-feira, 21 de setembro de 1998
Pedro Livoratti 
Comerciantes em Londrina estão prevendo o aumento dos níveis de inadimplência a partir do final do mês. Para tentar evitar o repique do calote, estão redobrando os cuidados e apertando os critérios para a concessão de crédito - especialmente através do cheque pré-datado. Nunca o lojista cercou-se de tantos cuidados na hora de vender.
O gerente de um magazine da cidade, que prefere não se identificar, confirma que o critério de oferta de crédito está mais rígido e que a orientação da matriz é a garantia de segurança máxima. Quem não comprova residência e emprego fixo, por exemplo, não tem direito a crédito. A rigidez provoca um índice de desaprovação de 20% nos cadastros, informa.
O consumidor que precisa comprar parcelado, e que prefere o cheque pré-datado, tem necessariamente de estar adimplente. É que as lojas não abrem mão da consulta ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Em alguns casos, até os próprios bancos são consultados antes da compra.
A comerciária Patrícia Marques, há 18 meses trabalhando como caixa das Lojas Riachuelo, informa que compras parceladas acima de R$ 80 são feitas mediante crediário da própria rede. Incentivamos os clientes a fazer o cartão da loja também porque é mais seguro para a gente, afirma. O gerente da loja, Antônio Sampaio de Andrade, explica que a vantagem do cartão é o vínculo que se estabele com o consumidor. Por causa disso a política da loja é incentivar o uso do crediário próprio. Para isso, quatro moças trabalham diariamente no centro de Londrina na tentativa de atrair novos consumidores.
Além de ser mais seguro, eu consigo manter a fidelidade do cliente, afirma. Segundo Andrade, a loja tem cadastrados 50 mil clientes e um índice de inadimplência de 1,58%, para consumidores com atraso de mais de 180 dias. Segundo o gerente, um número baixo. Isto porque evitamos aventuras com cheques.
O proprietário da 775, Robinson Kemmer, loja que atende o público jovem, afirma que a inadimplência alta ocorre bem antes do aumento das taxas, ocorrido no início do mês. Ele informa que, pela particularidade de sua clientela, tem de trabalhar com pré-datado, correndo os riscos desta modalidade de venda a prazo. Segundo ele, estes cheques dão problemas em 5% dos casos. Aí vale a negociação, ligar para o cliente e cobrar a prestação. Alguma coisa a gente sempre recupera.
Se para o comerciante o que vale é se garantir, o consumidor sofre pelo endurecimento das lojas na aprovação dos cadastros. O estudante Walter Ribeiro Rocha Júnior, 16 anos, diz que só está comprando à vista. O motivo é a complicação para aprovação do crédito. Como ele é menor, a burocracia é ainda maior, necessitando de autorização dos pais. A auxiliar de enfermagem, Carla Luciano Galo diz que está preferindo comprar com cartão de crédito ou cheque eletrônico. Acho mais fácil do que emitir um cheque e ter de dar uma série de informações, explica.
A coordenadora do Procon de Londrina, Sheila Azzalini de Ângelo, informa que o aumento dos juros ainda não significou mais trabalho para os atendentes do órgão. Ela acredita que os atendimentos devam aumentar nas próximas semanas, principalmente com reclamações de juros cobrados sobre cheque especial e prestação de casa própria. A nossa recomendação é para que o consumidor não financie nada neste momento, só em caso de vida ou morte, finaliza.


