Loja ensina competitividade ao varejo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Andréa Bertoldi<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Tornar o ambiente e o atendimento dos pequenos supermercados atrativos para o consumidor não é uma tarefa tão difícil observando algumas dicas fundamentais. Foi o que mostrou a Loja Modelo Varejo Competitivo, durante a Convenção Anual do Atacadista Distribuidor realizada pela Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores), esta semana em Curitiba.
Com um espaço de 180 m2 foi mostrado como um pequeno varejo independente pode explorar bem seu espaço e aumentar a rentabilidade de seu negócio. O objetivo foi trabalhar as boas práticas do varejo, trazendo inovações em termos de atendimento, exposição de produtos, tecnologia e retaguarda de loja para donos de mercearias, pequenos e médios mercados e supermercados.
Segundo o coordenador do Comitê Varejo da Abad, Walter de Sousa, a exposição dos produtos, a variedade e a organização permitem que o cliente encontre não apenas os itens que ele deseja, mas também outras mercadorias que complementem aquilo que ele procura.
A Loja Modelo faz parte do projeto da Abad Programa Varejo Competitivo criado há três anos para capacitação do pequeno varejo para que não seja tão afetado pelas grandes redes, além de dar condições para melhorar o atendimento e desenvolver o mix de produtos, a exposição das mercadorias e o merchadising.
O projeto da loja foi apresentado pela primeira vez no ano passado na convenção da Abad, em Recife, e é voltado para lojas de até 1 mil m2. Segundo ele, uma das dicas é ter agilidade operacional para tirar um produto do mix e colocar outro, além de possuir um mix que tenha certeza que vai vender. O projeto é destinado para pequenos mercados com até quatro caixas.
A recomendação é ter as seções de mercearia, bebidas, perecíveis, higiene, beleza e limpeza. Segundo Sousa, a tônica maior deve ficar com perecíveis com um atendimento mais personalizado e dividido em padaria, frios e carnes. Já próximo à entrada da loja deve ficar um display de hortifrutigranjeiros.
Outra dica é ter uma ''solução completa'' na gôndola, por exemplo, colocar próximos produtos como escova de dente, fio dental, pasta e enxaguante bucal. Sousa lembra também que o pequeno mercado é voltado para compras rápidas e precisa priorizar o bom atendimento. Como a maior parte da clientela é feminina, a orientação da Loja Modelo é que o setor de perfumaria fique em destaque. Estes produtos têm uma rentabilidade 30% a 40% maior que o restante do mix da loja.
Outra seção que faz as pessoas permanecerem mais tempo dentro da loja é o espaço para o café. Esta área acaba reunindo as pessoas no local e pode oferecer além do cafezinho, lanches e salgados.
Os pequenos mercados também devem ter um cuidado especial com a ambientação. O uso de teto rebaixado e cor amarela na parte de perecíveis dá ''astral'' melhor para a loja. As bebidas devem ser colocadas no fundo para fazer com que os homens caminhem mais pelo local.
Ele destacou ainda que o atendimento aos clientes reflete a qualidade da relação do dono do mercado com os funcionários. ''Um dos erros mais graves é o empregado dizer para o cliente que não sabe algo porque não é da seção. O correto é encaminhar para quem pode prestar a informação'', disse. Outros pontos importantes são a apresentação dos funcionários e a limpeza da loja.
Sousa disse que os pecados mais comuns do varejo são não investir em capacitação; não verificar o giro dos produtos e realizar a melhoria do mix; não perder tempo com o contador e não trabalhar produtos sazonais como os de Páscoa e Natal.


