Se abastecer não está fácil para o consumidor comum devido às fraudes encontradas nos postos de combustíveis do Paraná, a dificuldade é ainda maior para as empresas que lidam com frotas inteiras e gastam muito dinheiro para manter seus veículos em circulação. Algumas delas, que possuem um número grande de automóveis, apostam em sistemas informatizados de rastreamento, além de definir estabelecimentos credenciados para o abastecimento, na tentativa de evitar fraudes e prejuízos gigantescos. A FOLHA conversou com diferentes empresas de Londrina para saber como funciona a logística de consumo de combustível em cada uma delas.
Na Sercomtel - por se tratar de uma empresa pública - o sistema para abastecer os 100 veículos é a licitação. Anualmente, a empresa de telefonia londrinense abre concorrência para os postos da cidade. Para economizar, a estratégia é simples: vencem os dois estabelecimentos que oferecerem o maior desconto sobre a média da tabela de preços semanal divulgada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) correspondente ao município. Além disso, existem regras estipuladas na abertura do edital que inibem possíveis fraudes em relação a combustível adulterado e emissão de notas frias. Através da assessoria de imprensa, a Sercomtel relatou ainda que existe um acompanhamento rigoroso por veículo e, caso seja detectado alto consumo, eles são encaminhados para uma revisão mecânica.
Na Produza Produtos Agropecuários, o gerente administrativo Magno Longuini salientou que à medida que a empresa vai crescendo, o controle dos gastos vai ficando cada vez mais complicado. Longuini explicou que hoje utiliza um sistema de monitoramento dos veículos. ''Antes, o vendedor marcava a quilometragem do odômetro na hora do abastecimento. Desta forma, ficávamos suscetíveis a fraudes''. O gerente comentou que desde que instalou o sistema de rastreamento nos carros, já conseguiu flagrar um posto que possivelmente estava agindo com má fé. ''Com este sistema, que instalei há dois anos e meio, acredito que tenha conseguido uma economia de pelo menos 30%.''
Já no Instituto Genesis, também do ramo agropecuário, existem dois sistemas que trabalham alinhados: o de rastreamento e o de cartões com crédito oferecido por diversas redes de postos. Marcos Matsumoto, gestor de frotas do instituto, relatou que assim é possível identificar diversos problemas, como aumento do consumo de um veículo. ''Como todos abastecem geralmente nos mesmos postos, se um dos estabelecimentos começa a dar muita divergência em relação aos demais, pode ser que ele esteja com problemas'', avalia Matsumoto.
Ricardo Imperatriz, diretor da Golsat, empresa que criou a ferramenta de gestão de combustível, disse que hoje é possível identificar, através do software, data e horário do abastecimento, local em que ele aconteceu, a litragem que saiu da bomba e até outros postos na mesma rota que possuem melhores preços. ''Essas informações são vitais para o gestor que busca economia neste quesito.''

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