Curitiba - O Paraná pode ser o primeiro estado brasileiro a cumprir, integralmente, as exigências da Resolução nº 375/06, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe sobre a utilização do lodo de esgoto como insumo agrícola. Pelo menos, essa é a intenção dos pesquisadores da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e de outras instituições envolvidas nos estudos de destinação final do resíduo resultante do tratamento do esgoto doméstico.
A resolução do Conama, que entrou em vigor em agosto do ano passado, caracteriza o lodo de esgoto (nas classes A e B), de acordo com a concentração de agentes patogênicos e indicadores bacteriológicos. O lodo classe A pode ter no máximo 0,25 ovos de helmintos por grama do resíduo, enquanto no classe B a proporção é de cinco ovos por grama. Pelas regras do Conama, a partir de 2011, será permitido, apenas, o uso do lodo classe A para fins agrícolas
O gerente de Pesquisas da Sanepar, Cleverson Andreoli, disse que o Paraná irá se antecipar ao prazo dado pelo Conama, usando, desde já, somente o lodo classe A. Segundo ele, o Estado é um dos mais adiantados nas pesquisas e na aplicação do lodo de esgoto na agricultura, pois há uma legislação própria que, também, regulamenta a atividade.
Andreoli explicou que o processo de higienização do lodo gerado nas estações de tratamento de esgoto do Paraná - chamado tecnicamente de estabilização alcalina prolongada -é feito com a aplicação de óxido de cálcio, na proporção de 30% a 50% em relação ao peso do material seco.
O assunto foi discutido, ontem, em Curitiba, no 1º Seminário Estadual - O Uso Agrícola do Lodo de Esgoto do Paraná, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR). O coordenador da Câmara Especializada de Agronomia do Crea-PR, José Croce Filho, defendeu que o uso do lodo na agricultura seja amplamente debatido no meio técnico-científico como forma de avançar no uso de outras tecnologias de tratamento, além da aplicação de cal.

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