Inflação em queda, produção em alta. Previsão para 1997. No Brasil? No Primeiro Mundo. Os faróis de milha são da Organização Econômica para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), espécie de Cepal dos países ricos. O cenário oscila na cabeceira do bloco, o da tríade Estados Unidos, Japão e Alemanha, que totalizam um PIB de US$ 14,7 bilhões.
Os Estados Unidos fecham o ano com PIB de 2,4%, devendo repetir a dose no ano que vem. A inflação americana também ensaia reprisar a marca gregoriana de 2%. Para um PIB de US$ 7,3 trilhões, o desemprego deixa de ser notícia: 5,4% este ano e no próximo. Os juros podem subir de 5% ao ano para 5,3%, admite a OCDE.
Japão ensaia dar a volta por cima. Cautelosamente. A estabilidade monetária continua verdadeiramente nipônica, com deflação anual de 0,1%. A taxa de juros é uma piada: 0,6% ao ano. O desemprego igualmente é meramente friccional: 3,2%. A quadra de estagnação econômica começa a ser trocada por um crescimento anual de 3,2% neste triênio 1996/98.
A Alemanha fecha o ano com expansão de 1,1%, a caminho de 2,2% em 1997. Com os juros mais baixos da União Européia: 3,3%. O governo de Helmut Kohl, o irremovível, pretende melhorar a projeção da OCDE, de olho rútilo no barômetro político do desemprego, da ordem de 10,3%. Culpa de duas rasteiras perversas: 1) a invasão de imigrantes despreparados; 2) a implosão econômica do lado oriental sucateado.
Vestido de Santa Claus, o chanceler Helmut Kohl anunciou segunda-feira um corte nos impostos para estimular a recuperação dos investimentos, da produção, do consumo e do emprego. O ministro das Finanças, Theo Waigel, prometeu uma ‘‘significativa reforma do aparelho tributário’’ até 1999.
Outra boa notícia de Natal: o déficit público está projetado para 2,5% do PIB, abaixo do teto fixado pela União Européia em Maastricht: 3%. A contenção do déficit alemão é tarefa leonina. O governo de Bonn continua carregando o caixão sem alças da extinta Alemanha Oriental. Cujos custos de absorção já estouraram todos os limites de verbas e de prazos.Moeda única
- A unificação monetária da União Européia, compromissada pelo Tratato de Maastricht, joga com data marcada: a emissão do euro, moeda comum, em janeiro de 1999. A cúpula de Dublin, há duas semanas, ratificou e azeitou a megarreengenharia monetária dos europeus.

Na utopia?
- A circulação da moeda verdadeiramente única, em substituição às moedas nacionais do bloco, está contratada para 1º de julho de 2002. Todos os 15 países membros firmaram o ‘‘pacto da estabilidade’’ econômica e fiscal. Sem a qual a moeda comum continuará na utopia.
Escritural
- Experiência única na História, o euro virá ao mundo em janeiro de 1999 ainda na categoria de moeda escritural - confinada à contabilidade dos governos e dos bancos. Parada dura será a da extinção física das moedas nacionais, em julho de 2002. O povão não admite.
Na rejeição
- Resistência popular ao euro cresce nos países com moeda forte acima da cotação média da ‘‘cesta européia’’; marco alemão, franco suíço, libra inglesa e florim holandês. Os italianos, indiferentes, não têm caso de amor com a lira. E os franceses torcem o nariz, claro.

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