Arquivo FolhaArgumento convincentePátios guardam estoque de 122 mil veículos à espera de comprador e a previsão dos fabricantes é de queda de 15% nas vendas este ano, o que levou à paralisação da produção e reforçou o pedido de redução do imposto apresentado ao governoFaz um mês que a indústria automobilística iniciou uma mobilização para convencer o governo a reduzir a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Este tributo vinha onerando o financiamento das vendas de carros. Num ostensivo trabalho de lobby, o setor pediu exatamente para que a alíquota do IOF voltasse aos 6%.
A Agência Estado antecipou no dia 4 de junho que a série de reivindicações das montadoras para redução de impostos começaria pelo IOF. Este imposto é pago pelas instituições financeiras das montadoras à vista. Ou seja, cada vez que libera um plano de financiamento para o consumidor, o banco da montadora ou qualquer outro envolvido na operação recolhe o IOF à vista.
‘‘Estamos subsidiando as vendas’’, disse há cerca de um mês o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, exatamente um dia depois de entregar ao Ministério da Fazenda documento pedindo medidas para redução de impostos, independentemente da reforma tributária.
Na semana passada, a Anfavea previu queda de 15% nas vendas deste ano depois de as principais montadoras terem decidido paralisar as linhas por meio de férias coletivas. O setor argumentou que o volume de estoques - mais de 122 mil veículos - estava muito superior à demanda.
Mas o lobby das montadoras começou mesmo em outubro, quando foi editado o pacote fiscal como forma de conter o consumo. Nos bastidores, as montadoras acertaram com o governo que esperariam pacientemente pelo ajuste da economia à crise. Em troca, receberam a garantia de que pouco meses mais tarde seriam anunciadas medidas de afrouxamento, que começariam exatamente pelo IOF.
As montadoras aproveitaram a proximidade das eleições para fazer valer a reivindicação. E encaminharam pedido oficial há um mês. Diante do silêncio do governo, anunciaram a paralisação da produção. O pedido feito há um mês incluiu também redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Mas os dirigentes da indústria não querem apenas a redução dos cinco pontos porcentuais que foram acrescentados em outubro.

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