Llyd's prevê reindexação da economia
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de fevereiro de 1999
Rita Tavares Agência Estado 
Os riscos de reindexação da economia não podem ser desprezados pelo governo, já que a inflação subirá razoavelmente nos próximos meses, podendo mesmo se propagar no tempo, devido à acentuada desvalorização do real frente ao dólar. O alerta é do Lloyds Bank, ao traçar perspectivas para 1999, em seu último boletim informativo.
A partir de uma desvalorização entre 30% e 35%, o Lloyds prevê que o IGP-M fique entre 11% e 13% neste ano e que o IPC, calculado pela Fipe, oscile entre 6% e 8%, embora a Fipe já tenha alterado sua previsão inicial de 6% para 12%.
A princípio, o governo deve procurar evitar a reindexação da economia, mas discursos e ameaças não constituem alternativas plausíveis e adequadas para controlar a inflação, afirma o Lloyds. Uma política monetária austera no curtíssimo prazo e um ajuste fiscal seriam fundamentais para evitar um impacto maior da inflação a longo prazo.
Segundo o Lloyds, a mudança na política cambial deve gerar, mais cedo ou mais tarde, efeitos positivos sobre as contas externas do país. De imediato, no entanto, a desvalorização, que já ultrapassou o patamar dos 35%, está gerando pressão inflacionária que só não é maior porque a economia já estava em recessão antes da alteração.
O combate à inflação não pode ser perdido de vista por parte do governo (e da sociedade). Caso contrário, podemos estar jogando fora uma boa parte dos avanços obtidos nos últimos quatro anos e meio de estabilidade econômica, prevê o Lloyds Bank, no boletim informativo de fevereiro.
O Lloyds prevê que o setor externo deverá a apresentar bom desempenho em 1999, com o aumento das exportações e significativa queda das importações. Foi assim no México, na Coréia e em outros países que desvalorizaram suas moedas, analisa o banco. Além disso, a conta turismo e de remessa de lucros e dividendos também deve ajudar a melhorar os resultados das contas correntes.
Assim, o déficit de US$ 35 bilhões em 1998 deve cair para um valor perto dos US$ 21 bilhões neste ano.
Apesar dessa projeção positiva para as contas externas, mas levando-se em conta a adoção de uma política monetária austera que aumenta o valor da dívida interna, o Lloyds Bank reforça a necessidade de um ajuste fiscal. O cumprimento das metas fiscais é ainda mais importante agora do que antes, quando havia a âncora cambial, pondera o informativo econômico do banco. A aprovação da CPMF, a efetiva implementação de redução dos gastos públicos propostos e a resolução adequada dos problemas com os governos estaduais são os exemplos citados.


