Livros didáticos usados garantem economia
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sábado, 28 de janeiro de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Comprar livros usados para os filhos é a alternativa que muitos pais têm encontrado para aliviar o orçamento familiar, principalmente no início do ano em que a lista das escolas particulares causa um rombo no bolso. Os materiais didáticos de segunda mão podem garantir uma economia de até 65%. E, para isso, vale negociar livros usados informalmente, conversando com outros pais, colocar no mural da escola o interesse em adquirir ou vender os materiais já utilizados ou ainda vasculhar os sebos da cidade.
A economia na família do agrônomo Marcos Valentin Ferreira Martins, por exemplo, foi de 50%. Pai de Beatriz Bastos Martins, 13 anos, que vai cursar a 8 série do ensino fundamental este ano, Martins conseguiu comprar todos os livros didáticos que a filha vai precisar, já usados. ''Novos, a lista de livros ficaria em R$ 450. Paguei metade do preço, comprando os materiais de um amigo que trabalha comigo e tem um filho que estuda no mesmo colégio que Beatriz e que acabou de cursar a 8 série'', comentou.
Segundo o agrônomo, esse é o segundo ano em que faz negócio com esse colega de trabalho. No início de 2005, a economia com a aquisição dos livros usados também foi de 50%. Às vezes, segundo ele, é preciso dar uma renovada no livro. ''A gente apaga o que está escrito e fica novinho. Se tiver muito sujo, levo em uma gráfica e peço para cortar as bordas e retirar as sujeiras'', revelou.
O esforço para economizar com a compra de material escolar é um pouco maior para a professora de matemática Silvia Regina Milanez Fontana, mãe de Natália, 12 anos, que está na 7 série. No colégio em que a menina estuda, além dos habituais livros didáticos, existem os paradidáditos - os livros de literatura, que servem como apoio.
''O colégio pediu sete títulos, então eu peguei os que já havia comprado no ano passado, levei no sebo e troquei pelos que a Natália vai usar esse ano'', disse. Entre compra e venda, a professora pagou uma diferença de apenas R$ 12. Juntos, esses materiais paradidáticos novos custariam em torno de R$ 200.
Quanto aos livros didáticos, Silvia, que também é professora no mesmo colégio em que a filha estuda, costuma fazer trocas com outros colegas de profissão que também têm filho na escola. ''Nem todos os livros dá para trocar, às vezes a criança escreve muito forte e não tem como apagar. Mas a maioria dá para recuperar e isso gera uma grande economia'', frisou ela. O conjunto de livros didáticos novos ficaria em R$ 450; com as trocas, a economia será de R$ 250.
Como mãe e como professora, a principal recomendação que ela faz é que os livros devem ser muito bem apagados para que o aluno possa realmente usufruir do material. ''A minha filha, por exemplo, não liga em usar livros usados. Porém, esse ano ela pediu que eu comprasse um livro de português novo, pois os usados estavam vindo muito rabiscados'', comentou.
Por sorte, a filha de Maria Imaculada Montin Melo Pagano, que vai cursar o 1º ano do ensino médio, também não se importa em usar livros usados. A lista exigida pelo colégio, entre os didáticos e paradidáticos, ficaria em quase R$ 1 mil. ''Nem todos eu consegui comprar usados, mesmo assim consegui uma economia de R$ 200'', afirmou. Esse é o segundo ano que Maria Imaculada passa pelo sebo para comprar livros. ''A intenção é economizar. Não tem problema em usar livro usado. Além disso, a gente pode empregar o dinheiro em outra coisa'', pontuou ela.


