Livro prega revolução nas confecções
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de dezembro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Paulo Wolfgang
Questão de sobrevivênciaAntonio Barreto e o livro que pretende alertar empresários do ramo de confecção a melhorar a produtividade. Setor resiste às novas tecnologias e não investe em treinamento de mão-de-obra, segundo o autor
Sem uma revolução na mentalidade dos empresários e dos profissionais do setor de confecção, a indústria nacional nunca vai alcançar os índices globais de qualidade e produtividade. Com a intenção de contribuir para que ocorra essa revolução, o consultor Antonio Amaro Menezes Barreto está lançando o livro Qualidade e Produtividade na Indústria de Confecção - Uma Questão de Sobrevivência.
Formado em administração de empresas, especializado em administração de produção, com experiência de 18 anos na indústria do vestuário, Barreto aborda no livro assuntos técnicos, como organização do processo de produção, métodos e ferramentas; fala da importância de um sistema de controle de qualidade; e desenvolve conceitos de qualidade total.
Na introdução do livro, Barreto derruba a argumentação dos empresários para justificar a falta de competitividade do setor de confecção. Segundo Barreto, a concorrência com os produtos asiáticos e o custo Brasil não são desculpas para as dificuldades das empresas. O consultor lembra que os empresários não investem em novas tecnologias (máquinas e equipamentos), não adotam programas sérios de qualidade e produtividade nem fazem uma revisão na estratégia gerencial de suas empresas.
Nos Estados Unidos e na Europa também existem confecções e costureiras. Mas é grande a diferença de preços dos produtos. Uma calça jeans custa US$ 48 nos Estados Unidos; no Brasil, um produto similar é comprado por US$ 90, diz. De acordo com Barreto, o setor de confecção deve ser o mais sucateado da economia brasileira.
A maioria das confecções nacionais mantém dentro de suas fábricas máquinas com mais de 5, 10 e até 20 anos de uso. E quando há substituição, as empresas trocam por maquinário considerado de segunda linha em outros países, afirma. Na opinião de Barreto, a falta de investimento em tecnologia ocorre não por escassez de recursos, mas porque a mentalidade dos empresários é atrasada. Há resistência até para comprar um equipamento de baixo custo e que pode dar bom resultado no produto final.
Barreto diz que, no Brasil, a idéia predominante é que é fácil fazer confecção. Era um mercado muito fechado. Já houve uma melhora com a abertura econômica e com a entrada de produtos novos, mas há muita gordura para ser queimada ainda.
O que deve ser cortado - explica - é a lucratividade, que é alta no setor. A indústria vive muito em função da sazonalidade. Os empresários têm medo do que vão encontrar na próxima estação e mantêm taxas altas de lucro para compensar eventuais quedas nas vendas. Em contrapartida à proposta de cortar o lucro, Barreto indica o aumento na produtividade. Se aumentar a produtividade e diminuir o lucro, o empresário vai colocar produto no mercado com preços mais equilibrados. Barreto também critica o desinteresse das empresas em treinar e reciclar seus funcionários.


