Depois de um longo processo burocrático iniciado em fevereiro, a comissão científica da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) reconheceu o Paraná como área livre de Peste Suína Clássica (PSC), o que deve dar um fôlego para a produção e exportação da carne nos próximos anos. O status foi aprovado durante a 84ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da OIE, em Paris, que ocorreu ao longo de toda a semana passada.
Além do Paraná, o Distrito Federal e mais 13 Estados conquistaram o reconhecimento: Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e parte do Amazonas (municípios de Guajará, Boca do Acre, sul de Canutama e sudoeste de Lábrea). Até então, apenas Rio Grande do Sul e Santa Catarina tinham o certificado da OIE. A doença, que é causada por vírus e pode levar à morte dos animais, teve o último caso registrado no País em agosto de 2009 nos Estados do Amapá, Pará e Rio Grande do Norte.
Para as indústrias que atuam no Paraná – terceiro maior produtor do País – este é um momento de pensar em estratégias para transformar tal status em rentabilidade, com vendas para o exterior. Em 2015, o Estado exportou 64,4 mil toneladas (maior número desde 2011), um aumento de 43,4% frente ao ano anterior, quando enviou 44,9 mil toneladas para o exterior, principalmente para Hong Kong (40% do volume total), Rússia (19%) e Uruguai (18%). O valor total exportado representa 9,5% das 676,3 mil toneladas produzidas ano passado. Em 2014, a produção foi de 611 mil toneladas. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab).
De acordo com o técnico do Deral especializado na atividade, Edmar Gervásio, os países para os quais o Paraná vende carne suína já são bem consolidados e as empresas exportadoras terão que trabalhar bastante para abrir novos mercados, mesmo com a chancela da OIE. "Hoje, a produção basicamente é voltada para o consumo interno. Para aproveitar este novo status, é preciso aumentar a capacidade produtiva. É claro que, com esse reconhecimento, a burocracia documental será bem reduzida. Não será necessário, por exemplo, visitas nas unidades produtivas entre outros trâmites que muitas vezes travam as negociações."
Já, segundo o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, os países importadores que trabalham com o Estado não exigem a chancela da OIE, algo que ele tem certeza mudará nos próximos anos. "Subimos nosso status sanitário e isso é muito importante. Sem dúvida, isso irá interferir nas futuras negociações, já que muito outros Estados também conquistaram a chancela. O caminho está mais curto para exportar e isso pode influenciar na produção daqui pra frente. Sem dúvida seremos procurados por novos importadores e temos que nos organizar melhor para atendê-los", alega.

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