As indústrias paranaenses devem passar a operar com 100% da capacidade instalada a partir de 1º de junho, quando começam os apagões em outras regiões do Brasil. A previsão é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes de Carvalho. A região Sul está fora do racionamento de energia elétrica.
Atualmente as indústrias do Estado operam com 78% da capacidade instalada. ‘‘O racionamento traz uma vantagem competitiva extraordinária para a nossa região’’, avalia Carvalho. ‘‘Trabalhando a plena carga, as empresas vão ter que contratar mais mão-de-obra.’’
O presidente da Comaves, Paulo Muniz, já planeja a migração do crescimento previsto para a fábrica de Campo Grande (MS), que seria de 6% neste ano, para a unidade de Londrina. ‘‘A previsão de crescimento da indústria local passou de 6% para 12%’’.
O vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá, Antonio Fermenton, acredita que as indústrias paranaenses serão beneficiadas com o racionamento de energia em outros estados. ‘‘Até mesmo os prestadores de serviços deverão ser beneficiados porque terão mais energia disponível para atender à demanda’’, disse. Segundo ele, além do consumo normal diário, o setor produtivo no Paraná poderá aumentar o consumo de energia em função do excedente existente. ‘‘As empresas poderão trabalhar até à noite’’.
Já o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Maringá (Sindivest), Valdir Scalon, diz que ainda é cedo para prever qualquer tipo de reação do mercado. ‘‘Está tudo muito incerto ainda’’.
Segundo o secretário de Fazenda do Paraná e presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Ingo Hubert, a decisão da Região Sul ficar fora do plano de racionamento, que foi anunciada na segunda-feira pelo governo federal, é muito recente, e por isso ainda não foi feito nenhum cálculo sobre o crescimento econômico do Estado. Mas ele considera que ‘‘vai haver impacto na economia’’. O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, sugere cautela. ‘‘Pode ser que um setor continue crescendo a uma taxa melhor do que em outros Estados, mas como brasileiros devemos ver o problema como um todo e economizar energia’’, recomenda.
O empresário e vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), Rogério Stein, não acredita que o fato dos estados do Sul do País ficarem fora do racionamento trará grandes benefícios a suas empresas. ‘‘Por algum tempo, os empresários da região Sul poderão levar alguma vantagem, mas isso pode acabar quando os empresários de outros países enxergarem no Brasil uma grande fonte de renda para seus produtos’’. Ele lembra que grande parte das melhorias na geração de energia foram feitas em parceria com o governo federal. ‘‘Não se pode esquecer que os estados não fizeram tudo sozinhos e contaram com a participação federal’’, observa.
Participaram Cláudia Lopes, Gilmar Agassi, Lucinéia Parra e Rosana Félix

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