Curitiba - Com o fim da suspeita de focos da febre aftosa no Paraná, técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento devem iniciar, em breve, o cadastramento dos produtores afetados e os prejuízos financeiros em consequência das restrições comerciais ou descarte da produção, especialmente, do leite. A informação foi dada pelo diretor-geral da secretaria, Newton Pohl Ribas, na manhã de ontem, durante a abertura do I Seminário Econômico Codesul-Japão, em Curitiba.
Depois de participar do encontro, Ribas se reuniu com representantes dos setores produtivos para discutir as medidas a serem tomadas depois da divulgação oficial do laudo que confirma a inexistência de focos de febre aftosa no Paraná. Por enquanto, o governo não se manifestou em relação às formas de indenizar os produtores prejudicados.
Uma das ações anunciadas por Ribas é a manutenção das barreiras sanitárias, principalmente, com o Mato Grosso do Sul, onde já foram confirmados, pelo menos, 22 focos da doença. Outra medida a ser providenciada é a liberação das áreas interditadas no Paraná por causa da suspeita. ''Fizemos o que tínhamos que fazer. Cumprimos as regras da OIE, que é a Organização Mundial de Saúde Animal. O Paraná cumpriu sua lição de casa'', afirmou Ribas, referindo às medidas preventivas de interdição das propriedades.
O coordenador de produção leiteira da Castrolanda, Rogério Wolf, disse que a cooperativa vai analisar, junto do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), alternativas para amenizar os prejuízos, contabilizados, até o final de outubro, em R$ 1 milhão, aproximadamente. A expectativa, segundo ele, é ter liberdade de voltar a comercializar o leite e subprodutos para os mercados de São Paulo e Minas Gerais. ''Ainda estamos tendo prejuízo, tendo que fazer pasteurização e ainda na eminência de jogar leite fora'', afirmou.
De acordo com o economista do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados (Sindicarnes), Gustavo Fanaya, ainda não existe um prejuízo concreto para o setor. ''O que existe é um atraso no cumprimento dos contratos'', acrescentou. Assim que for retomada a comercialização, os frigoríficos deverão concentrar esforços para fazer os abates. Ele acredita que os desdobramentos da suspeita de aftosa, agora, devem se refletir na valorização dos animais do Paraná. ''Aquilo que se imaginou como prejuízo pode representar um salto nos próximos meses'', avaliou.

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