A venda das empresas estatais de telefonia para grupos privados nacionais e estrangeiros deverá revolucionar em poucos anos o cenário das telecomunicações brasileiras. A grande diferença do novo modelo em relação ao que vigorou até hoje não está apenas na substituição da gerência estatal pelo controle capitalista privado, mas principalmente na instauração de um sistema de livre concorrência.
O monopólio já acabou na telefonia celular, onde começa a haver competição entre as bandas A e B, e vai terminar também na telefonia fixa, a partir do ano que vem, quando o governo licitar as novas licenças para as mesmas áreas de telefonia fixa privatizadas esta semana. Até o final do ano o governo vai licitar as outorgas para a entrada no mercado de quatro ‘‘empresas-espelho’’, que vão competir com a Telesp, Tele Norte-Leste, Tele Centro-Sul e Embratel (leia abaixo).
‘‘O modelo que vigorou até hoje criou uma situação totalmente desprezível em termos de distribuição social dos serviços de telefonia’’, afirma o diretor-geral da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro. A agência criada para fiscalizar as empresas fez um levantamento e constatou que 43% das residências concentram 98% das linhas telefônicas residenciais. Apenas 2% das linhas atendem a 57% das residências da faixa da população com renda mais baixa. Enquanto a população de renda alta tem em média duas linhas por família, a faixa mais pobre tem apenas duas linhas para cada 100 famílias.
Com a privatização, as empresas se comprometem com metas de melhoria e expansão dos serviços. Quem não cumprir os compromissos vai arcar com multas de até R$ 50 milhões. Em casos extremos, as licenças de operação podem ser cassadas. Para resgatar a dívida social do País no campo das telecomunicações o governo está obrigando as novas operadoras a ampliar de 17 milhões para 33 milhões o número de telefones fixos até 2001. Nesse período o número de telefones por cem habitantes deverá elevar-se de 11 para 22.
Atualmente existem 17 milhões de brasileiros na fila de espera para comprar uma linha residencial, além de outros oito milhões aguardando por um celular. Muitas pessoas estão na fila há dois ou três anos. Essa demanda reprimida provoca distorções no mercado, e o preço de uma linha no mercado paralelo já esteve cotada a R$ 9 mil em alguns bairros de São Paulo. Se tudo funcionar conforme as metas fixadas pela Anatel, dentro de quatro anos o brasileiro vai poder contar com um telefone apenas um mês após a compra.

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