A ampliação do livre comércio para toda a América do Sul vai aumentar as disputas comerciais na região, a exemplo do que ocorre no Mercosul entre Brasil e Argentina. De acordo com o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, as pressões de grupos que não querem perder privilégios com a ampliação dos acordos serão multiplicadas. ‘‘Os problemas vão aumentar, porque quanto mais se aprofunda o processo de integração, mais fundo se toca nas áreas sensíveis e mais resistências se enfrenta.’’
Apesar dessas dificuldades, Seixas Corrêa afirma que a integração comercial da região trará ganhos, porque fará crescer o comércio, o que deve ajudar a aumentar e distribuir a renda na região. O primeiro passo concreto em direção à integração comercial do subcontinente foi dado no encontro inédito de presidentes da América do Sul, ocorrido entre quinta-feira e sexta-feira da semana passada, em Brasília.
Os presidentes decidiram iniciar as negociações do acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e a Comunidade Andina (Peru, Colômbia, Venezuela, Equador e Bolívia) a ser concluído até 2002.
No Mercosul, apesar do aumento do comércio, que beneficiou todos os membros, Brasil e Argentina, os principais sócios, enfrentam uma série de disputas comerciais. Os dois já chegaram a acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC), por divergências em torno do comércio de têxteis. Atualmente, os países brigam por causa do recrudescimento do protecionismo argentino, que aumentou depois da desvalorização do real. As polêmicas hoje são o comércio de frango, o regime automotivo e o açúcar.
Na semana passada, o presidente da Argentina, Fernando De La Rúa, afirmou em Brasília estar disposto a alterar as medidas de incentivo à produção de açúcar no país, porque o Legislativo, pressionado pelos produtores, prorrogou as barreiras ao comércio do produto contrariando decisão do Mercosul.
‘‘O governo queria adotar medidas para o setor açucareiro que não afetassem ninguém’’, disse o presidente. ‘‘Mas a decisão tomada afeta o Brasil e a política será reavaliada.’’ No caso da briga comercial envolvendo produtores de frango (a Argentina estabeleceu preço mínimo para a entrada do frango brasileiro), o Brasil já acionou o mecanismo para solução de controvérsias do Mercosul.
O outro lado da moeda, afirma Seixas Corrêa, é que os países se capacitam para enfrentar as potenciais resistências com os resultados positivos obtidos com a integração, como o aumento do comércio.

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