Livre adesão alavancará cooperativas de crédito
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba As cooperativas de crédito do Paraná mantêm hoje R$ 630 milhões em recursos administrados pelo sistema Sicredi. Até o final do ano, a meta é atingir R$ 1 bilhão, que deve corresponder a um crescimento de 70% sobre os recursos administrados no ano passado. A expansão do crédito cooperativo deve ser incrementada com a conquista da livre adesão, que transforma as cooperativas de crédito rural em cooperativas de livre adesão, o que permite a associação de todas as pessoas físicas interessadas.
A expansão do sistema, permitida pela Resolução 3.106 do Banco Central, e o cumprimento das metas traçadas para este ano foram os temas discutidos ontem em Curitiba, durante realização do Seminário de Avaliação do Sistema Sicredi, que termina hoje. O presidente do Sicredi no Paraná, Seno Claudio Lunkes, está otimista com a medida adotada pelo governo Lula, que abre o sistema cooperativo de crédito rural para a participação da população urbana. Para as cooperativas de crédito, é um novo mercado que se abre porque agora que o correntista urbano começa a despertar para as vantagens oferecidas pelo sistema.
O sistema Sicredi é comunitário, sendo que todos os recursos arrecadados na comunidade são reinvestidos em projetos de desenvolvimento na comunidade. Lunkes disse que o sistema é um instrumento de promoção do desenvolvimento local e ele não teme a frustração dos projetos. De acordo com o presidente do Sicredi, a inadimplência do sistema é menor que 2%, muito pequena se comparada à inadimplência do sistema financeiro. O sistema conta hoje com 135 mil cooperados no Estado e capta 5 mil novos cooperados todo mês.
No Paraná, o sistema Sicredi atua através de 35 cooperativas de crédito em 201 dos 399 municípios. É maior que a rede de agências do Banco do Brasil, considerada a segunda maior rede bancária no Estado, presente em 179 municípios. A expansão do sistema deve-se a taxas mais atraentes oferecidas aos correntistas, porque a cooperativa não visa lucros. O spread cobrado é para bancar as despesas de administração e se houver sobras no final do ano, o dinheiro é redistribuído entre os associados.
Um correntista de uma cooperativa de crédito paga entre 4% a 6% no cheque especial, quando no mercado financeiro paga no mínimo o dobro dessa taxa. No crédito pessoal, o correntista paga entre 2,5% a 4% ao mês, taxa inferior ao do mercado financeiro normal. Para quem investe no sistema, as cooperativas garantem o retorno de no mínimo 95% a 96% da taxa Selic, sendo que o resíduo é destinado para pagar as despesas.


