São Paulo Durante mais de 30 anos, a Livraria Cultura, uma das mais tradicionais do mercado, sedimentou o nome e diversificou negócios num único ponto em São Paulo, no Conjunto Nacional, na região da Paulista, onde abriu uma loja em 1969. Mas a partir do momento que se estruturou para uma expansão nacional, no início deste ano, a empresa montou um projeto de inaugurações para os próximos cinco anos. ''A idéia é abrir uma loja por ano nas principais capitais do País'', diz o diretor da Cultura, Sergio Herz.
Além das capitais, o interior, principalmente cidades de maior porte, como Campinas e Ribeirão Preto, estão no foco da empresa. ''Mas a prioridade são as capitais, onde o potencial de consumo é mais fácil de ser avaliado,'' diz Herz. Ele observa que o modelo de loja adotado pela empresa exige investimentos altos. ''Uma média de R$ 6 milhões, metade para a montagem e outra metade para o estoque.''
A primeira livraria fora de São Paulo foi aberta em abril, em Porto Alegre, no Bourbon Shopping Country, numa área de 2.350 metros quadrados. A próxima meta é Recife. Herz inaugura em abril de 2004 uma loja, no Paço Alfândega, situado no centro histórico de Recife. A livraria, com 2.300 metros quadrados será âncora de um novo centro de compras, cultura e lazer instalado em uma antiga edificação restaurada, datada de 1.732, que abrigou um convento e a alfândega.
A abertura de outras lojas, ainda em 2004, está em exame e não está descartada a inauguração de mais uma unidade na capital. A Cultura deve fechar o ano com um crescimento real de vendas em torno de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, na comparação das mesmas lojas. Se for incluída a livraria de Porto Alegre, aberta este ano, o resultado deve ser 35% superior a 2002.
O cenário econômico difícil e a queda de renda do consumidor tiveram reflexo no tíquete de gastos. ''O volume de clientes cresceu, mas em média eles gastaram 5% menos do que no ano anterior'', pondera Herz.
AUTOGESTÃO Para atrair um público maior para suas lojas e dar a arrancada no seu plano de expansão, a Livraria Cultura começou a delinear o projeto da empresa há cerca de três anos. Neste período a espinha dorsal da Cultura, explica Herz, se fortaleceu e agora podemos abrir filiais em várias cidades sem efeitos colaterais. ''Toda a estratégia de negócios da empresa está sedimentada em dois alicerces, recursos humanos e tecnologia'', diz . As lojas, por exemplo, funcionam pelo sistema de autogestão, com um coordenador, e cada venda efetivada é imediatamente processada no escritório de São Paulo. Mais do que empregados, os funcionários da empresa são considerados gestores e, por terem este perfil, na avaliação de Herz, se envolvem muito mais com a empresa.
A tecnologia proporciona total controle das vendas e a formação de um banco de dados com o perfil de compras do consumidor, o que permite a empresa investir em promoções para públicos específicos.
''Uma livraria hoje precisa ser um centro de cultura e serviço, onde as pessoas vão para se encontrarem e divertirem e não apenas um local de compras'', diz Herz. Se for somente para comprar um livro ou um DVD, o consumidor pode recorrer à praticidade da Internet, que no caso da Livraria Cultura já representa 15% do faturamento da empresa.

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