Litoral espera alta de 30% na economia
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domingo, 04 de janeiro de 2009
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba/Guaratuba - O faturamento durante o verão dos setores de comércio e prestação de serviços do litoral parananense deve ser 30% superior em relação ao período passado, quando foi registrado um giro de negócios de R$ 1 bilhão. A expectativa é da Associação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Prestadores de Serviços do Litoral (Assindilitoral) que prevê um aumento no número de veranistas nesta temporada provocado pelos feriados prolongados das festas de fim-de-ano, Carnaval tardio e as enchentes de Santa Catarina.
A Assindilitoral espera que cerca de 2,4 milhões de pessoas hospedem-se no Litoral em hotéis, campings ou imóveis alugados entre novembro e fevereiro. A procura por hotéis no início da temporada foi 60% maior em comparação a data anterior. ''Locais mais calmos, que não tinham muita procura, estão lotados. As consultas começaram muito cedo, uma novidade para o setor'', avalia o superintendente da Assindilitoral, Fábio Aguayo.
É o caso dos Hotéis Gamboa em Paranaguá e Antonina. Segundo o proprietário, Eduardo Maranhão, no Ano-Novo as ocupações chegaram a 85% e 100%, respectivamente. ''Apesar da falta de incentivos turísticos nas cidades, a procura ficou dentro das expectativas e já estamos com reservas de grupos para as férias e também Carnaval'', afirma.
Em Guaratuba, uma das praias mais movimentadas e procuradas por veranistas, conseguir uma vaga em hotel depende um pouco de sorte. O Hotel Náutico entrou janeiro com 80% dos 60 quartos ocupados. As diárias, a partir de R$ 160, estão o dobro em relação a baixa temporada - uma prática comum do comércio. A maioria dos hóspedes do hotel são famílias com crianças. Entre os serviços ofertados estão o aluguel de cadeiras de praias e guarda-sóis e o estacionamento coberto. De acordo com a gerente do Náutico, Cleide Dambrosky, ''o público compareceu além do normal e a grande procura nos pegou de surpresa'', conta.
A professora paulista Patrícia Batista costuma frequentar as praias do Paraná durante as férias de fim de ano. ''Gosto mais de ficar aqui do que em São Paulo. É mais tranquilo'', afirma. Na hora de escolher um lugar para ficar, ela não tem dúvida. ''Fico sempre em hotel porque é mais cômodo'', explica. Entre as vantagens, Patrícia lista a segurança, o estacionamento e a localização que o hotel oferece. Este ano, ela e o namorado, o técnico em edificações José Irineu, são hóspedes do Hotel Náutico, que fica a uma quadra da Praia Central de Guaratuba.
No Hotel Praia e Sol, nas unidades de Guaratuba e Matinhos, a ocupação foi total na virada no ano. Os pacotes para data estavam fechados desde o início de dezembro. Para janeiro, espera-se manter 70%, caso não chova. Para a gerente Vanilda Soares dos Santos, o movimento está atípico e o clima será a principal influência para continuar o aquecimento da economia local. ''Se o tempo ajudar, o vai e vem de turistas só acaba no Carnaval'', comemora.
Com os imóveis, as expectativas são ainda melhores. Segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Litoral (Creci-Litoral), as unidades valorizaram 20% no aluguel. A procura aumentou em 30% mas a oferta caiu pela metade. ''Muitos locadores que iam para fora do País ou para os balneários de Santa Catarina deixaram de viajar por causa da alta do dólar e as enchentes'', analisa o delegado do Creci-Litoral, Michel Wolff. Segundo o especialista, o ritmo de preços de aluguel deve se manter, caso o movimento continue alto. ''Até 15 de janeiro, pico no número de turistas, os preços não caem'', afirma.
Para os restaurantes, a expectativa de 30% de faturamento maior é muito bem-vinda. O proprietário do Restaurante Paraíso, um dos mais tradicionais de Matinhos, Carlos Dalberto Freire, preparou a equipe desde setembro para receber com qualidade os turistas. O quadro de funcionários dobrou saltando para 30 pessoas. ''A falta de mão-de-obra qualificada é um problema no Litoral. Quem não investir nela, corre o risco de perder cliente'', comenta. O valor da refeição a quilo foi reajustado em 10%, ''um aumento justo diante dos encargos da época'', mas há quem pratique 30%, segundo Freire, que também é diretor da Associação Comercial e Empresarial de Matinhos.
Segundo a Assindilitoral, nesta temporada houve uma alta significativa na geração de empregos temporários. A previsão é de 20 mil novos postos durante o verão contra 15 mil do período passado. Agora os ambulantes registrados pelas prefeituras devem ter residência fixa na cidade onde vão trabalhar. ''Muita gente vinha de fora, explorava o turista e ia embora. Agora, o trabalhador local está sendo valorizado e a renda fica no município'', avalia Aguayo.
(Colaborou Rosiane Correia de Freitas)


