Lista extensa de exportadores de carne irrita UE
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Jamil Chade, correspondente<br>Agência Estado 
Genebra - O Brasil entregou à União Européia uma lista de fazendas autorizadas a exportar carne quase nove vezes maior que Bruxelas esperava receber e irritou os negociadores europeus. Ontem, a Comissária de Agricultura da UE, Marianne Fischer Boel, apelou para que ''o Brasil atue de maneira justa'' no comércio e garantiu que apenas 3% das fazendas brasileiras poderão vender carne à Europa.
A lista do governo tem mais de 2,6 mil fazendas credenciadas. ''Isso é bem maior do que havíamos dito'', revelou ao Grupo Estado uma funcionária próxima à cúpula da Comissão Européia. Fischer Boel não nega que, se o atual sistema de certificação de fazendas não funcionar, um embargo total poderá ser aplicado.
No fim do ano passado, Bruxelas anunciou que estava impondo novos limites às exportações brasileiras por questões sanitárias. Os europeus estabeleceram várias normas e anunciaram que apenas dariam o sinal verde a 300 fazendas. O governo brasileiro passou a verificar cada uma das fazendas e, pelos critérios exigidos pelos europeus, certificou mais de 2,6 mil propriedades.
A avaliação do governo é que, se todas cumprem os requisitos, não caberia ao Ministério da Agricultura selecionar apenas 3% delas. ''Como faríamos para selecionar uma fazenda e não a outra se essas estão em condições de igualdade?'', questionou um funcionário do ministério em Brasília.
Em Bruxelas, os europeus não escondiam a irritação com a atitude brasileira. Primeiro por causa do número de fazendas, considerado exagerado. Outra confusão foi a entrega de listas, feita por cada um dos Estados. A própria missão diplomática do Brasil junto à UE confessou que não tinha como somar as listas. Com a atitude, o governo jogou de volta aos europeus o problema.
Amanhã, Bruxelas deverá publicar em seu diário oficial a lista da propriedades brasileiras autorizadas a exportar. Não se exclui ainda que a lista possa ser ampliada, mas apenas depois de uma visita dos inspetores europeus. Segunda-feira, falando aos fazendeiros irlandeses, a comissária de Agricultura da UE (uma espécie de superministra para os 27 países do bloco) insistiu que estava tomando as iniciativas adequadas para garantir a qualidade da carne brasileira.
''Se eles (brasileiros) querem exportar para nós, precisam atender a um padrão. Esse padrão é o que os europeus demandam'', disse Fischer Boel. Os irlandeses, produtores que mais sofrem com a concorrência da carne nacional, pedem um embargo total do produto brasileiro e também protestaram contra o tamanho da lista brasileira. Fischer Boel alertou aos irlandeses que a Europa também precisa ser ''justa'', e a resposta de Bruxelas ao problema precisa ser ''proporcional''. ''Não podemos impor um embargo total à carne brasileira, salvo se essa for a única solução viável.''
Segundo ela, a limitação em 3% das fazendas brasileiras cumpre a questão da ''proporcionalidade''. Segundo ela, a nova regra é rígida com o Brasil. ''Esperamos que, das 10 mil propriedade que hoje podem exportar para nós, apenas 3% - cerca de 300 - consigam entrar na lista inicial de fazendas autorizadas a exportar.''


