Curitiba O aumento na renda do trabalhador com o reajuste do salário mínimo, os ganhos reais que os assalariados tiveram nas negociações salariais, a correção da tabela do Imposto de Renda, os programas sociais do governo federal e o crédito oferecido pelas instituições financeiras são os principais fatores que derrubaram os índices de inadimplência no Paraná e no País todo.
''A redução da inadimplência é uma tendência nacional'', disse o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro. Ele acredita que a inadimplência deve cair ainda mais devido a um pico de crescimento da economia previsto para o terceiro trimestre do ano com a Copa do Mundo, o ano eleitoral, o aumento dos gastos públicos e o aumento da renda dos trabalhadores.
Nesta semana, a Associação Comercial do Paraná (ACP) divulgou uma pesquisa que apontou que a taxa de inadimplência do consumidor de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral em abril teve redução em relação a março, atingindo 0,04% do saldo líquido entre registros novos e cancelados no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em comparação ao número de consultas realizadas em janeiro. A taxa registrada em março foi de 0,08%.
O vice-presidente de Serviços da ACP, Élcio Ribeiro, lembra que a tendência de redução de inadimplência começou em 2005. ''Não tivemos uma corrida para pagar dívidas com a primeira parcela do 13º salário'', disse.
Na outra ponta da história, os comerciantes também estão mais conscientes em melhorar e consultar o cadastro de inadimplentes. Mesmo com os juros altos cobrados pelo varejo, o consumidor está mantendo as contas em dia. Ribeiro lembra que, outro mecanismo que tem ajudado os lojistas é a Rede Nacional de Integração de Informações Comerciais (Renic) através da qual é possível ter informações do consumidor relativas a todos os Estados.
Ele acredita que a redução das vendas do comércio que foi apontada em pesquisa do IBGE divulgada nesta semana não tem relação com a redução da inadimplência. ''As pessoas continuam comprando mas em valores menores'', disse. O IBGE apontou uma queda de 0,78% nas vendas do comércio do Paraná em março e redução de 1,4% no primeiro trimestre. Para Ribeiro, as vendas foi provocada pela crise da agricultura. ''O Paraná é um estado no qual a agricultura tem um peso importante'', disse Cordeiro.
Para não se tornar inadimplente, as dicas do Dieese são compatibilizar os gastos com as receitas e procurar não se endividar porque as taxas de juros são muito elevadas no Brasil. Para quem quer sair da lista de maus pagadores é saída é buscar substituir dívidas com juros mais altos por taxas mais baixas.
O cartão de crédito, por exemplo, cobra 13% de juros ao mês enquanto o crédito consignado com desconto em folha tem taxa mensal de 2,6%. Cordeiro sugere ainda que o consumidor faça um ajuste temporário no orçamento para reequilibrar as finanças e, com o reajuste salarial que receber neste ano, procure poupar. A dica dos economistas é guardar de 5% a 10% da renda mensal do trabalhador.

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