Liquidez e preços altos estimulam sojicultores
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
A produção de soja no Paraná já foi totalmente colhida e, até a semana passada, cerca de 65% da safra 2010/2011 já estava vendida. No mesmo período do ano passado, o volume comercializado era de 58%. O cenário favorável à cultura, impulsionado pelos altos preços e boa liquidez, estimula os sojicultores paranaenses. Alguns já buscam a venda antecipada da produção da próxima temporada.
O mercado se mostra favorável à commoditie tanto internamente como no cenário internacional, o que tem pesado na decisão dos agricultores em plantar a oleaginosa. A área cultivada com soja no Estado cresceu 3% em relação ao ano passado, chegando aos 4,5 milhões de hectares. Com isso, a produção deu um salto de 10%, atingindo a marca recorde de 15,26 milhões de toneladas. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).
Na média dos últimos dias, a saca de 60 quilos de soja estava sendo vendida a R$ 41. Na mesma época do ano anterior, o valor pago aos agricultores era de R$ 32, o que correspone a uma valorização de 28%. ''O valor deste ano chegou quase aos patamares de 2008/2009, quando houve a grande alta no preço das commodities'', esclarece a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi.
De acordo com levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em maio desse ano, o pico dos preços ocorreu no início do mês, quando alcançou o patamar US$ 510,83/t. A pesquisa também apontou que, mantidas as atuais condições de oferta e demanda, a expectativa é de que os preços continuem em patamares elevados.
''No cenário mundial de oferta e demanda a sojicultura ainda é a atividade que traz renda ao produtor, tanto pela comercialização fácil, quanto pelos bons preços'', resume a agrônoma. Margorete avalia que a infraestrutura de cooperativas e porto aumenta a competitividade paranaense no segmento. Em âmbito nacional, um dos principais concorrentes é a Argentina, onde o custo de produção é reduzido devido à concessão de subsídio aos sojicultores.
Segundo a agrônoma, o plantio nos Estados Unidos está em fase final e nesta safra a produção esperada é de 89 milhões de toneladas, volume levemente inferior à passada, quando foram colhidas 89,6 milhões de toneladas. Em relação à expansão da área produtiva, Margorete acredita que o Brasil está se aproximando dos Estados Unidos. ''O crescimento das lavouras de soja nos Estados Unidos está estagnado, mas no Brasil ainda há margem para expansão'', argumenta. No entanto, ela ressalta que no Paraná, as fronteiras agrícolas estão no limite. Nesta safra, o Estado obteve produtividade recorde de 3.390 kg/ha.
Segundo dados do United States Department of Agriculture (USDA) - o Departamento de Agricultura americano -, em todo o mundo a área de soja deve ter um incremento de 1,7% na safra 2011/2012. Com isso, a produção mundial estimada da oleaginosa é de 263 milhões de toneladas, volume 0,5% superior ao deste ano.
Demanda aquecida
''A demanda mundial por soja não para de crescer'', salienta Margorete, lembrando que a oleaginosa é um insumo consumido pela cadeia animal e humana. Segundo ela, o estoque é uma variável que também interfere nos preços. ''Os estoques estão bem ajustados, o que torna o mercado mais aquecido'', esclarece.


