Liquidez dos leilões já chega a 99%
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Josiane Schulz Especial para a Folha 
DivulgaçãoGarboCavalo árabe exibe elegância na pista, mas o mercado de equinos ainda é fracoO primeiro turno de leilões da 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, encerrado ontem, movimentou R$ 1,1 milhão. Esse valor representa cerca de 50% do total comercializado na Exposição de 96, segundo a organização. Os dados apontam ainda que já foram vendidos 1.790 animais - 99% do volume ofertado - sendo 1.763 bovinos e 27 equinos.
Cerca de 400 criadores, entre vendedores e compradores, participaram dos 12 leilões realizados neste turno. Segundo o diretor de pecuária da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Eduardo Fabretti Santos, os números superaram as expectativas da organização. Para ele, o impulso dado pelos bons preços de algumas culturas neste ano, como a soja e o café, foi um dos fatores que influenciaram no volume de vendas. O agricultor está mais capitalizado. Acredito que com relação ao ano passado haja crescimento de 15% a 20% no valor total a ser arrecadado nos leilões, afirma Santos.
Nesse primeiro turno, a maioria dos bovinos comercializados eram gado de corte, com 1,3 mil animais vendidos, a uma média de R$ 204. A raça que alcançou a maior média de preço por cabeça, R$ 5,2 mil, foi a Limousin. Também foi desta raça o animal mais caro: a vaca Waddles Krista, que foi vendida a R$ 39,6 mil.
O número de fêmeas de gado de corte previsto para leilão neste primeiro turno teve queda de 20%, devido ao controle feito pela Defesa Sanitária Animal, que proibiu a exposição de alguns animais por estarem sem atestado de brucelose e tuberculose. Santos afirma, entretanto, que isso não afetou as negociações. No segundo leilão esse problema já estava resolvido, disse.
Para o segundo turno, que acontece de 10 a 13 de abril, o diretor da SRP acredita que o volume comercializado seja maior. Serão levados a leilão 2,3 mil animais das raças Tabapuã, Normando, Simental, Guzerá, Brahman, Caracu, Charolês, Pardo Suíça, Holandês e Jersey e também de gado de corte.
Apesar do otimismo de Santos, o diretor da Programa Leilões, responsável pela organização dos eventos, Paulo Horto, acredita que os leilões poderiam ter sido melhores. Para ele, ainda existe resistência por parte dos criadores de gado em investir em tecnologia. Muitos deles preferem usar boi de boiada como reprodutor. Isso prejudica a produtividade, afirma Horto.
Na avaliação de Horto, o volume total a ser negociado nos leilões da 37ª deve ser o mesmo do ano anterior, ou seja, R$ 2,2 milhões. Isso apesar do mercado e das condições gerais dos produtores estarem melhores que no ano passado, afirma.
No segundo turno serão realizados 16 leilões. No leilão de quinta-feira serão apresentadas amostras de cruzamentos industriais de raças européias e de nelore. Dos cruzamentos industriais vamos leiloar mil animais. A expectativa é que esse leilão movimente US$ 200 mil, afirma Horto.
Cavalo árabe O leilão de encerramento do primeiro turno foi o 4º Arabian Fashion, único leilão de equinos da 37ª Exposição. O evento, particular do haras Jannani e Convidados, comercializou 27 cavalos árabes, totalizando R$ 35,7 mil. O cavalo Fai Sheik El Kayeff foi vendido por R$ 3,7 mil - o maior valor negociado no leilão. Segundo Horto, desde o ano passado a Exposição de Londrina tem leiloado apenas cavalos árabes. O mercado para equinos é bastante fraco e vem enfrentando uma grave crise desde o ínicio desta década. O principal motivo é que a criação de equinos é hobby, explica.


