Curitiba Pelo quarto ano consecutivo a dona de casa Lindamir Wyrwa, 44 anos, repete o mesmo sacrifício: passar horas em frente a uma loja de eletrodomésticos para aproveitar as liquidações de início de ano. Pelo menos duas grandes redes de lojas Magazine Luíza e Colombo abrem as portas na madrugada de hoje, em Curitiba, Londrina e outras grandes cidades do Interior, prometendo descontos de 10% a 85% em vários produtos.
''Desta vez, vou gastar pouco'', revela Lindamir, que pretende comprar um televisor de 20 polegadas para dar à mãe, duas panelas de pressão e um ferro elétrico. Suas chances de conseguir os produtos são grandes, já que a dona de casa assegurou o primeiro lugar na fila. Mas, para isso, chegou à loja às 9 horas da manhã de anteontem. ''Mais umas três vezes e compro tudo o que preciso para minha casa'', diz Lindamir. Segundo ela, no ano passado, conseguiu economizar mais de R$ 700 comprando um fogão e dois guarda-roupas.
As lojas abrem às cinco horas. Como as liquidações já viraram tradição, as lojas também estão ''profissionalizando'' o atendimento aos clientes. Na tarde de ontem, o auxiliar de cobrança do Magazine Luíza, Wagner de Godoy, ajudava a distribuir cadeiras e a cadastrar os clientes, pegando nome e número de identidade. Sobre o que os clientes poderiam encontrar dentro da loja, Godoy foi enfático: ''grandes ofertas''.
A aposentada Clarice Galvão, 57 anos, disse estar disposta a gastar R$ 1,5 mil dinheiro que economizou durante o ano inteiro para comprar um televisor e uma geladeira. Mas ela, que estava desde às 13 horas de ontem entre os primeiros lugares da fila, não iria enfrentar a maratona sozinha. Filho e nora ajudariam no revezamento.
Assim como Clarice, o professor Carlos Robson Marques, 29 anos, decidiu se aventurar no plantão em frente a uma das lojas para comprar um televisor e um aparelho de DVD. ''Durante o ano, é difícil encontrar boas promoções de eletro-eletrônicos. Por isso, resolvi arriscar'', contou.
Mas não são apenas potenciais compradores que se aglomeram em frentes às lojas que fazem as ''liquidações relâmpago''. Há, também, os que aproveitam a ocasião para ganhar um dinheirinho extra, vendendo lugar na fila. O estudante Erick Júnior, de 17 anos, repete a prática há quatro anos. Ele e outros dois colegas decidiram cobrar, este ano, R$ 45 por um lugar privilegiado. No final das contas, o lucro é de cerca de R$ 15, calcula Erick. O restante do dinheiro, o estudante acaba gastando com lanches para aguentar o tranco.

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