O primeiro sábado do ano começou com liquidações nas lojas de redes varejistas do centro de Londrina, que abriram as portas mais cedo para receber os clientes. As ofertas, no entanto, não animaram os consumidores. Ao contrário de anos anteriores, quando se formavam longas filas na frente dos estabelecimentos comerciais desde a madrugada, neste ano o movimento ainda era fraco por volta das 9h30.

Embora a economia dê sinais de recuperação, os consumidores estão cautelosos na hora de gastar e o que se via dentro das lojas era muita gente pesquisando preços. "Preciso de um fogão. Sou viúva e acabei de me casar de novo. Deixei minha casa, com meus móveis e eletrodomésticos para o meu filho, que acabou de se casar, e fui morar com meu marido, mas ainda não terminamos de mobiliar, estou usando um fogareiro que só tem uma boca funcionando", contou a zeladora Dazilda Ferreira da Silva. Mas ela não se animou com o preço dos fogões. Um modelo semelhante ao que ela pretende comprar, de quatro bocas, era vendido por R$ 759. "Pelo que estou vendo, o preço é o mesmo da época do Natal. Não abaixou o preço."

A dona de casa Maria de Lourdes Cestari era uma das poucas pessoas que esperavam em fila a abertura de uma loja no Calçadão. Ela foi atraída por uma propaganda na televisão que anunciava um modelo de aparelho celular com bom desconto. A rede anunciou que neste sábado (6) iria funcionar a partir das 7 horas, mas por volta das 8h30 ainda não havia aberto as portas. "Perdi meu celular e estou precisando de um novo. Se o preço for mesmo o anunciado, vai dar para pagar à vista", comentou. Uma hora depois, Cestari saía contente da loja. "Consegui comprar. Estava mesmo em oferta e já estou levando."

Em algumas redes, as liquidações começaram na sexta-feira (5) e, apesar do movimento tímido na manhã deste sábado, a gerente de uma das lojas das Casas Bahia, Luciane Maria Soares, estava contente com os resultados das vendas do primeiro dia de promoções. "Aumentou muito o movimento para uma sexta-feira. Vieram bastante ofertas, principalmente de televisores, linha branca e celulares. O desconto mínimo é de 40%. Observamos que as pessoas pesquisaram muito no Natal e agora, quem vem, compra. As vendas de agora estão melhores do que na época do Natal, com aumento de cerca de 10%", calculou a gerente.

O que animou mesmo os compradores foram os itens mais baratos. Uma das lojas visitadas pela reportagem anunciou máquinas de cortar cabelo a R$ 20 e o que não faltou foram consumidores interessados no produto. Na sexta-feira, o marido da lavradora Solange Marcelino encontrou em uma loja o mesmo produto por R$ 29. Comprou três unidades. No sábado, ao ver a máquina de cortar cabelo por R$ 20, não pensou duas vezes e levou mais duas. O casal mora em Grandes Rios (Vale do Ivaí) e pretende faturar com as ofertas que encontrou em Londrina. "Vamos revender. Vai dar um bom lucro. Uma máquina dessa geralmente custa R$ 60."

O entregador David Martins também foi à loja em busca da máquina de cortar cabelo. Quando chegou, o produto não estava mais disponível no estoque, mas ainda assim conseguiu garantir a oferta. "Eles me venderam pelo preço anunciado e pediram para eu retirar o produto na loja na segunda-feira de manhã", disse ele, que aproveitava para conferir os preços dos ferros de passar roupa, em torno de R$ 99. "Não está caro, está em conta. Quando você está em paz com as suas finanças, não sente tanto o peso das coisas. Quando você está com muitas dívidas é que acha tudo caro."

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