Curitiba Decorridos sete anos após a intervenção do Banco Central (BC), o processo de liquidação extrajudicial do banco Bamerindus está próximo de um desfecho. O diretor de Liquidações e Desestatização do BC, Antonio Gustavo Matos do Vale, vislumbra um acordo entre acionistas majoritário e minoritários, Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito, que é o maior credor do Bamerindus.
Matos do Vale anunciou que, no primeiro semestre de 2005, será alinhavado um projeto que deverá contemplar os interesses dos acionistas, credores, governo e atuais controladores. Destacou que todas as discussões em torno do assunto terão total transparência para que o possível acordo seja aceito pelo Ministério Público, Justiça e Tribunal de Contas. Segundo Vale, um possível acordo deverá encerrar quaisquer ações judiciais em torno da liquidação do Bamerindus.
Por causa da possibilidade de acordo, Matos do Vale esteve ontem, em Curitiba, onde foi homenageado com a comenda de Cavalheiro da Boca Maldita, por iniciativa do representante dos acionistas minoritários do banco, coronel da Aeronáutica Euclides do Nascimento Ribas. Segundo Ribas, Matos do Vale foi o único diretor do BC que se dispôs a equacionar um amplo acordo que atenda a todos os interesses envolvidos.
O Bamerindus tem débitos no valor de R$ 8,5 bilhões e um ativo estimado em R$ 2,9 bilhões. Portanto, resta um passivo da aproximadamente R$ 5,7 bilhões. O Fundo Garantidor de Crédito, fundo mantido pelos bancos, é o maior credor com cerca de R$ 3 bilhões da dívida.
De acordo com o coronel Ribas, um acordo leva em conta o repasse do passivo para esse fundo, que passa a ser o liquidante do Bamerindus. Se essa projeção for concretizada, o Fundo Garantidor de Crédito, que é uma entidade privada, poderá utilizar os créditos fiscais do Bamerindus, avaliados em aproximadamente R$ 4 bilhões, explicou Ribas. É com esses recursos que os acionistas minoritários vislumbram que poderão receber parte do que investiram no banco. ''Com esse acordo todos podemos perder menos'', afirmou.
São cerca de 51 mil acionistas minoritários, que estão esperando ansiosamente pelo levantamento da liquidação do Bamerindus. Segundo Ribas, o BC não pode fazer nada com os créditos fiscais, mas se eles forem repassados à iniciativa privada, esses créditos poderão ser negociados no mercado. Com os recursos que podem ser levantados dessa operação, os credores também poderão ser ressarcidos, explicou.
O diretor do BC assegurou que ainda não existe nenhuma decisão para o levantamento da liquidação. ''O que existe é uma disposição para construir um acordo'', acentuou. ''Reconheço que há possibilidades de encontrarmos um consenso'', acrescentou.

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