O Banco Central deve decretar esta semana a liquidação extrajudicial do Banco Bamerindus S.A. e das empresas Bamerindus S.A. Participações e Empreendimentos, Bastec Tecnologia e Serviços Ltda. e da Fundação Bamerindus de Assistência Social, todas sob intervenção do BC desde o dia 26 de março do ano passado.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, a diretoria do BC rejeita a proposta do interventor do banco, Flávio Siqueira, de reversão do prejuízo em duas das empresas não financeiras do grupo - a Bamerindus Participações e Empreendimentos e a Fundação Bamerindus -, controladas pelo senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB-PR).
A proposta para a liquidação extrajudicial de todo o grupo Bamerindus já foi preparada pelo Departamento de Controle de Processos Administrativos e Regimes Especiais (Depad) para ser submetida à diretoria do BC. ‘‘Não podemos aceitar o estorno de operações feitas que resultem em patrimônio positivo para as empresas não financeiras do grupo’’, argumentou um técnico do BC, lembrando que essas operações foram feitas por determinação de Andrade Vieira, na tentativa de salvar o banco.
Na data da intervenção no Bamerindus, a Comissão de Inquérito do BC apurou que as empresas não financeiras do grupo estavam atulhadas de papéis que não valiam nada e que todo o crédito bom tinha sido transferido para a carteira do banco.
Por causa dessas operações de troca de crédito bom por crédito podre, as empresas não financeiras do grupo não escaparam do prejuízo. De acordo com o relatório da Comissão de Inquérito, já encaminhado pelo BC ao Ministério Público do Estado do Paraná, o prejuízo na Bamerindus Participações e Empreendimentos supera R$ 800 milhões, sendo de R$ 400 milhões o prejuízo da Bastec e de mais de R$ 100 milhões o prejuízo na Fundação Bamerindus. O maior prejuízo, entretanto, de cerca de R$ 4,2 bilhões, foi o do próprio Banco Bamerindus.
O senador Andrade Vieira, que estava afastado da administração do banco desde 1992, ficou com os seus bens pessoais indisponíveis desde a intervenção porque permaneceu à frente da Fundação Bamerindus e da Bamerindus Participações, controladoras do banco. Se a intervenção do BC tivesse ficado restrita ao banco, Andrade Vieira teria se livrado da indisponibilidade de seus bens pessoais.
Como a intervenção pegou todo o grupo e a Comissão de Inquérito apurou prejuízo em todas as empresas, os bens pessoais do senador ficam à disposição da justiça para possível ressarcimento de prejuízo a terceiros, só podendo ser liberados no desenrolar da ação de responsabilidade civil, por determinação judicial.

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