Liquidação da cooperseda chega à fase mais difícil
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoSem retornoInstabilidade no mercado do fio comprometeu investimentos na produção do bicho-da-sedaA Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel, está na etapa final do processo de desativação das unidades da Cooperseda, que atuava com bicho-da-seda, e da qual a Central é hoje a única proprietária. O comportamento do mercado internacional do fio da seda determinou este procedimento, afirma o presidente da Cotriguaçu, Fábio Rosso.
A Cooperseda era formada ainda pelas cooperativas Coopagro, de Toledo (dissolvida), Copagra (Nova Londrina) e Cocamar (Maringá). Algumas prefeituras doaram terrenos para ajudar a viabilizar a implantação de unidades, e as empresas participantes haviam obtido financiamento, cuja maior parte do saldo devedor acabou sendo paga pela Cotriguaçu.
Com isso, a Central assumiu inteiramente o controle e, posteriormente, ao avaliar as dificuldades do mercado, passou a se desfazer das unidades. Também foi decisiva a saída da Coopagro, porque era a única filiada à Cotriguaçu entre as cooperativas do pool. A Central chegou a oferecer as unidades a vários grupos internacionais, sem encontrar interessados.
Cem empresas já atuaram no mercado do fio de seda no País, mas hoje apenas três se mantêm, e a produção se estabilizou em 15 mil toneladas. Segundo Fábio Rosso, a desativação do segmento é parte do projeto da Cotriguaçu de concentrar atenções em outras pontas da produção agrícola, próprias da região onde atuamos - o Oeste e o Sudoeste do Paraná.
O diretor-secretário da Cotriguaçu, Sebaldo Waclawovsky, reconhece que o segmento esteve submetido a grandes e complicadas oscilações do mercado, e acrescenta que, o racional, nas empresas, é não manter negócios que não garantam o retorno adequado. Por isso, a venda das unidades, em alguns casos sem a obtenção dos valores que poderíamos pretender, mas evitando prejuízos permanentes.
Instalações e equipamentos de um secador de casulo em Umuarama, no Noroeste do Estado, foram negociados por R$ 142 mil com a Prefeitura, que por sua vez os repassará à filial da multinacional japonesa Kanebo. Segundo informação inicial, a unidade teria custado R$ 1,6 milhão, mas Sebaldo Waclawovsky afirma que o custo foi de R$ 1 milhão.
Os dirigentes ressaltam que a disposição de facilitar a transação objetiva preservar interesses diretos da Cotriguaçu. Também consideram a necessidade de ajudar as prefeituras na plena viabilização do uso das instalações, para que os empreendimentos cumpram sua função, de interesse para a economia dos próprios municípios.
Além da estrutura assumida pela Prefeitura de Umuarama e que deve ser repassada à Kanebo, a Cotriguaçu vendeu ainda outra unidade do complexo seda, no mesmo município, para a empresa Bratac (São Paulo), por R$ 1,5 milhão. A Cooperseda ainda é detentora de uma área de 20 alqueires em Umuarama.


