Liquidação cada vez mais profissional
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
A liquidação, período tão esperado pelo consumidores de plantão, tem saído da ''experimentação'' e partido para o profissionalismo. A afirmação é da consultora especialista em varejo, Márcia Toscano, que esteve em Londrina durante a semana ministrando palestra para lojistas do Shopping Catuaí. Segundo ela, a liquidação deixou de ser a simples queima de estoque ou a desova de produtos de baixa qualidade ou com defeitos para se colocar como uma das mais importantes estratégias de venda do comércio.
Segundo Márcia, nos momentos de baixo movimento, com poucas condições de vendas - como por exemplo o início do ano - e em que é preciso fazer caixa, a liquidação tem se tornado a melhor ferramenta de marketing. ''O lojista consegue vender e se manter até a próxima renovação de estoque'', disse a consultora.
Sendo uma estratégia de venda, a especialista afirma que para realizar uma liquidação é preciso planejamento. ''O lojista precisa vender e o consumidor precisa ter a vantagem de um bom produto, mas com um preço mais baixo. Então, é preciso avaliar o que será liquidado e em que condições'', frisou.
O primeiro passo do planejamento, conforme Márcia, é fazer um inventário do estoque: o que tem, o que pode ser liquidado, o que está faltando (e de que forma isso pode ser reposto). É importante também saber o que está no imaginário do cliente, quais produtos da loja ele mais gosta e o que ele espera que seja liquidado. ''É preciso ter em mente que a liquidação precisa ser vantajosa para o cliente e o desconto precisa suprir com sua expectativa. O que justifica a liquidação é o bom preço em produtos que tenham qualidade'', destacou a especialista, lembrando que nesses momentos o lojista ganha com o volume de venda.
Ao ''profissionalizar'' a liquidação, acrescenta a consultora, o lojista ganha a credibilidade e a confiança do cliente. ''Algumas atitudes tradicionais, mais antigas dos comerciantes, de colocar em promoção produtos com menor qualidade ou não oferecer um desconto real aos clientes (o produto custa R$ 10 em um dia, sobe para R$ 15 em outro, e no dia da liquidação volta para R$ 10, tudo da noite para o dia, como se aquilo fosse o desconto) ainda geram desconfiança entre os clientes. Por isso, é fundamental o planejamento'', justificou Márcia. Uma dica da consultora é que o lojista mantenha a etiqueta original do produto, acrescentando o preço com o desconto.
É interessante também que a vitrine seja adequada para o período de liquidação, que o lojista cuide da manutenção e segurança do espaço e, principalmente, que a equipe de vendas seja bem treinada. ''Desinformação é ruim, o vendedor precisa conhecer o varejo em que trabalha, conhecer o estoque da loja para realizar um bom atendimento, precisa entender que liquidação é estratégia'', disse Márcia.
Quanto ao grande volume de liquidações que há algum tempo têm ocorrido, geralmente, no início e na metade do ano, a consultora afirma que não está havendo uma banalização do processo. Pelo contrário, o que está acontecendo é a qualificação das liquidações. ''E é cada vez mais uma tendência criar créditos na liquidação'', concluiu.


